Partindo-se de um entendimento de literacia como prática socialmente situada
que implica quer a manipulação da palavra escrita, quer comportamentos, valores, crenças,
e saberes sobre o que pode ser dito e feito, como e com que “acessórios”, num domínio
de prática particular, discutem-se, neste texto, algumas estratégias que, no âmbito da
leitura realizada na escola, têm por função assegurar uma dada configuração da literacia
e do sujeito que aí é reconhecido como letrado. Para além das estratégias discursivas
que, na aula de língua portuguesa e em manuais escolares, conformam as características
do leitor legítimo, discutem-se as representações de leitura e de leitor veiculadas pelos
textos antologiados num corpus de manuais escolares. Entre as principais conclusões,
destaca-se a visão restrita das funções sociais da leitura bem assim como do papel do
leitor, construído que é numa prática de aceitação daquilo que uma voz com autoridade
define como a prática de leitura que conta naquele contexto.Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT