Universidade do Minho. Centro de Estudos Humanísticos (CEHUM)
Abstract
SeparataAs características do discurso moral contemporâneo
só podem ser compreendidas à luz da teoria da racionalidade. Este artigo procura sublinhar na obra de Alasdair MacIntyre (historiador
da ética e crítico da sociedade contemporânea) a relação entre os dilemas morais
e a racionalidade humana. Os primeiros obrigam a equacionar temas como a
natureza do acordo entre teses em conflito, as razões do desacordo frequente
e profundo, os modos de argumentação, o processo de decisão, a racionalidade
prática, a base antropológica e histórica da razão humana. A racionalidade como
dimensão da mente humana tem na obra de MacIntyre muitos aspectos: a relação
entre racionalidade prática e racionalidade teórica, a recusa da teoria da verdade
por correspondência, a representação cognitiva, as formas de inquérito moral. São
criticadas algumas ideias de MacIntyre sobre a racionalidade humana mínima e
sobre a teoria da identidade pessoal. Este autor é ambíguo ao traçar a linha de
fronteira entre diferentes formas de racionalidade; não é clara a caracterização
dos graus mínimos de racionalidade; não é demonstrado que a análise de MacIntyre
seja muito diferente da análise dos autores do método genealógico, por exemplo
Nietzsche e Foucault. Este artigo baseia-se sobretudo nas três obras principais
de MacIntyre: After Virtue, Whose Justice? Which Rationality? e Three Rival Versions
of Moral Enquiry.
e esta à luz de uma teoria da mente. O que está em causa,
por conseguinte, é a natureza da racionalidade: O que significa ser
racional? Como conciliar a racionalidade como interesse e a racionalidade
como tribunal neutro em que os conflitos se podem resolver?
Como depende a noção de racionalidade de uma teoria da mente?This paper tries to highlight the relation between moral dilemmas and
human rationality in the work of Alasdair MacIntyre (historian of ethical thought
and critic of contemporary society). Moral dilemmas unfold a vast set of themes
such as the nature of the agreement between theses in conflict, the reasons for
frequent and deep disagreement, the forms of argumentation, the decision-making
process, practical rationality, the anthropological and historical basis of human
reason. Rationality, as a dimension of the human mind, has many aspects in
MacIntyre’s work: the relation between practical rationality and theorical rationality,
the refusal of the correspondence theory of truth, cognitive representation,
and the paths of moral enquiry. Some ideas about minimal human rationality
and personal identity theory are criticized. This author is ambiguous when he
draws the borderline between different forms of rationality; the way in which
he describes the minimum requirements of rationality is not clear; the analysis
fostered by MacIntyre is not demonstrated to possess a conspicuous difference
when compared to the analysis undertaken by the authors behind the genealogical
method, for instance Nietzsche and Foucault. This paper draws mainly on the
three major works by MacIntyre: After Virtue, Whose Justice? Which Rationality?
e Three Rival Versions of Moral Enquiry