Na transição para o secundário, muitos alunos sentem-se mais à vontade a trabalhar com situações numéricas do que algébricas, o que tende a dever-se a um maior contacto com os números até ao final do 3.º ciclo. No desenvolvimento do pensamento algébrico,
ganha relevância a compreensão do sentido do símbolo. O tema das funções do 10.º ano
potencia essa compreensão. Recorrendo quanto possível à resolução de problemas,
pretendemos averiguar como alunos do 10.º ano desenvolvem o sentido do símbolo no
estudo deste tema. Seguindo uma metodologia qualitativa e interpretativa, com o
formato de estudo de caso, analisamos os dados que foram recolhidos através da
actividade dos alunos, da transcrição de aulas áudio-gravadas, de entrevistas e notas de campo. O estudo envolve três alunos com diferentes desempenhos de aprendizagem –
Sílvia, Rui e Rute –, cuja informação é interpretada segundo as três fases que
decorreram antes, durante e após a intervenção pedagógica que orientou o estudo das Funções. Os três alunos revelam capacidade de seleccionar a variável, embora Rute nem sempre seja capaz de rever o seu significado; tendem a aplicar preferencialmente algoritmos conhecidos, o que não os ajuda a afastarem-se do significado individual das variáveis e a analisar a expressão no seu todo. Em relação aos papéis das letras, mostram compreendê-las conforme o contexto em que surgem, embora tendam a não distinguir o papel de variável do de incógnita