[Excerto] Ainda no século XVIII, o grande médico português António Nunes Ribeiro Sanches (1699-1783), que vivia em Paris, fez uma observação muito interessante sobre a vida dos conventos. No manuscrito com o título em latim De Animi Perturbationibus, afirma que «Tantos casos de tísicas e tantas histéricas nos conventos parece que provêm desta origem de imitarmos o que vemos fazer e padecer». Mais tarde, ao ampliar este manuscrito no texto da Dissertação sobre as Paixões da Alma, que não chegou a publicar, uma frase quase idêntica sobre os conventos sobreviveu ao processo de reescrita. Nesse texto de 1753, Ribeiro Sanches afirma, com pequenas diferenças, que «Tantas tísicas nos conventos e tantos males histéricos pode ser que muitas vezes procedam desta origem. Como há epidemias que fazem apodrecer os nossos espíritos e humores, assim há epidemias que ofendem somente aquela parte sensitiva; o princípio desta desordem também procede de sermos forçados a imitar o que vemos fazer ou padecer» (p. 16). O doutor Andry, fiel amigo de Ribeiro Sanches, traduziu para francês uma versão destes dois manuscritos, versão que constituiu a entrada «Affections de l’âme» da Encyclopedie Méthodique, editada por Vicq d’Azyr em 1787. A frase sobre os conventos desapareceu nesta versão, se bem que a explicação geral tenha sido mantida: «Comme il y a des épidémies qui occasionnent la putréfaction dans nos esprits et nos humeurs, il y en a aussi qui attaquent la partie sensitive: le principe de ce désordre vient de la pente qui nous porte à imiter ce que nous voyons faire, ou ce que nous voyons souffrir» (p. 252).1 [...