Universidade do Minho. Centro de Estudos Humanísticos (CEHUM)
Abstract
Aquilo que, a início, se apresenta como uma tipologia estável e acessível (termos que Burke consideraria como quase sinónimos) das paixões
humanas, devidamente polarizadas em torno do belo ou do sublime, não sofrerá fissuras de monta quando transposto para o terreno da política. Aquilo que serve como padrão do gosto servirá como padrão do político. Ou melhor, o gosto em arte terá como congénere uma determinada espécie de gosto em política. É numa leitura em
transposição do claro ordenamento das secções da Investigação que algumas das questões levantadas assumem uma cintilação inesperada. Ao mesmo tempo que toma como tarefa principal a necessária, e já por demais adiada, fixação da gramática do gosto (Burke prefere a expressão “lógica do Gosto” (1757: 11)), o autor cria um dispositivo conceptual - o binómio belo-sublime -
capaz de funcionar como interface entre domínios como a arte, a política, a moralidade, a religião, a psicologia ou a linguagem