Universidade do Minho. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)
Abstract
Com a seguinte análise crítica, tendo por base a problemática das relações sociais de
género e de poder, propomo-nos clarificar algumas das relações e das tensões que se
foram estabelecendo e que se estabelecem entre as estruturas político-legais do(s)
Estado(s) nação e outras iniciativas levadas a cabo pelas mulheres e pelos homens nas
esferas pública e privada (doméstica) e que contribuem, através de variadas formas de
comunicação, para uma repolitização destas mesmas esferas.
Ver-se-á, aqui, como o Estado liberal, ao atomizar-se do social, não consegue tornar
visíveis os resultados concretos da sua tão proclamada ideia de igualdade entre os
homens; como o Estado-providência, apesar da sua intromissão no âmbito do social, não
consegue diluir as diferenciações hierárquicas entre os homens e as mulheres; e,
finalmente, como as políticas neoliberais, ao defenderem uma intervenção mínima do
Estado nos casos de fragilização do social, favorecem a construção de novos
pressupostos de género apoiados sobre a reconstrução de antigos estereótipos.
Torna-se importante analisar a dimensão das formatações políticas estatais a par de
outras iniciativas de acção repolitizada, sobretudo num âmbito de investigação – acção
em que existem preocupações, tal como a nossa, que consistem em detectar as formas
como o(s) Estado(s) e a economia regularam e regulam as relações sociais de género e,
em simultâneo, apontar algumas das possibilidades que os homens e as mulheres
tiveram e têm na efectivação de outras relações de poder, na construção de novos
espaços públicos e privados e, simultaneamente, na construção de um novo tipo de
legitimação que permita consolidar outras vivências de cidadania que não só aquelas que
estão juridicamente consagradas.
Nesta análise, ainda, a necessidade de afirmação de novas formas de acção
comunicativa, torna-se uma referência central quando se pensa que a reestruturação
estatal dos contextos sociais, a par com as exigências dos critérios do individualismo
neoliberal, pode estar em consonância com novos critérios de racionalidade instrumental
constituintes de um grande recuo político e social no que diz respeito à afirmação de uma
cidadania instituinte, construída, reconstruída e vivida nas bases de acção organizacional.Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT)