Os betões de elevado desempenho (BED) são, actualmente, empregues apenas em
situações particulares, sobretudo em edifícios altos e em estruturas localizadas em ambientes particularmente agressivos. Assim, o conhecimento associado a este tipo de betões não se encontra generalizado e é importante contribuir para a sua disseminação e, também, para a sua desmistificação, uma vez que os BED podem ser considerados como uma evolução dos betões convencionais, mas com elevada durabilidade.
Com o objectivo de contribuir para a sustentabilidade da construção, urge reduzir a
produção e o consequente consumo de cimento. Assim, se a substituição de elevados volumes de cimento por subprodutos industriais, como é o caso das cinzas volantes, se revelar exequível, será extremamente benéfica sob o ponto de vista ecológico e ambiental.
Neste contexto, desenvolveu-se um programa experimental de forma a avaliar a
possibilidade de produzir BED, fabricados com quantidades reduzidas de cimento e
recorrendo à incorporação de materiais correntes, de baixo custo, comummente utilizados no fabrico de betões convencionais. O comportamento das misturas produzidas foi caracterizado
experimentalmente, incidindo na avaliação das suas principais propriedades relacionadas com a trabalhabilidade, com as resistências mecânicas e com a durabilidade
Os resultados obtidos permitiram evidenciar que, para este tipo de betões, as
exigências relacionadas com a resistência à compressão são, para a grande maioria das
aplicações práticas, satisfeitas e que estes podem ser considerados de elevada durabilidade, o que os permite classificar como BED. Assim, é de esperar que a utilização mais generalizada deste tipo de BED permita edificar construções mais duráveis e contribuir significativamente
para a sustentabilidade da construção