Sendo o corpo a base de enraizamento do self e partindo do elo que os modos de vida nas instituições mostram de forma enfática entre o primeiro e um sentido individuado do self, descreve-se como é sobretudo no corpo e etravés dele que se substancia a tensão entre a prisão e as reclusas.
Decorrentes de razões ideológicas e de funcionalidade, várias práticas institucionais tendem a reduzir as reclusas a uma condição uniforme, o que passa pelo controle da aparência e da apresentação pessoal. Além disso, as condições de vida na prisão afectam o corpo e a percepção que dele têm as reclusas. Quanto a estas, o aparente esbater da noção do self e a dissolução da individualidade vão de par com uma consciência aguda do corpo. Um dos seus avatares é uma preocupação extrema e nova com a estética, a higiene e a saúde, e é neste registo que se tenta a restauraçãode algumas fronteiras individuais e da auto-imagem. É ainda essencialmente por aqui que parecem passar as principais formas de resistência à instituição. Outras manifestações, como episódios de prostração, inércia e paralisia parcial, ao mesmo tempo que exprimem a adversidade do meio prisional podem também ser identificados como corporizações de resistência