A questão que eu gostaria de formular é a seguinte: quando nos nossos dias o tempo perdeu os vários acentos que lhe servem, "o agudo da actualidade, o grave da historicidade e o circunflexo da eternidade" (Paul Celan), como fazer do quotidiano uma ideia que impeça a redução do presente a uma pura forma de onde se ausentou toda a potência? Como afirmar "a profundidade do que é superficial" (Blanchot), ou seja, como franquear o acesso à temporalidade e desse modo recuperar o quotidiano