Trabalho de conclusão de curso (graduação)—Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, Departamento de Saúde Coletiva, 2019.Introdução: A causa básica de morte é definida como a doença ou lesão que deu início a uma série de acontecimentos patológicos que, por consequência, conduziram ao óbito. Este dado constitui uma valiosa fonte de informação da saúde populacional, portanto é fundamental defini-la corretamente. Entretanto, as dificuldades relacionadas ao preenchimento das Declarações de Óbito comprometem a confiabilidade dos dados. Conforme as estimativas da Organização Mundial da Saúde, o acidente vascular cerebral continuará sendo a 2° maior causa de morte no mundo até 2060, representando 10,6% dos óbitos previstos para o ano. Objetivo: Identificar a acurácia dos registros nas declarações de óbito por acidente vascular cerebral isquêmico no Distrito Federal em 2017. Métodos: Trata-se de um estudo de validação da causa básica de óbito por acidente vascular cerebral isquêmico no Distrito Federal no ano de 2017. Participaram deste estudo todas as pessoas ≥18 anos que foram a óbito em ambiente hospitalar. Os dados utilizados foram provindos do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). A análise consistiu em uma comparação entre as causas básicas de óbito por acidente vascular cerebral isquêmico nas declarações de óbitos e a causa básica definida pela equipe de investigação da Gerência de Informação e Análise de Situação em Saúde (GIASS). Foram avaliados os indicadores de validade de diagnóstico por meio dos testes de sensibilidade, especificidade, valores preditivos positivo e negativo com respectivos intervalos de confiança a 95%. Através do software Stata®, versão 15 para Windows. Resultados: A amostra foi constituída por 11.426 óbitos, destes 171 foram por acidente vascular isquêmico, mas antes da investigação só constavam 26 óbitos com esta causa básica. A sensibilidade do preenchimento dos atestados foi de apenas 14,6% e a especificidade de 99,9%. O valor preditivo positivo foi 96,2%, já o valor preditivo negativo 98,7%. Antes da investigação das declarações de óbito a incidência de mortalidade por acidente vascular isquêmico era de apenas 0,2%, após a investigação da GIASS, esse valor aumentou para 1,5%. Conclusão: A sensibilidade do preenchimento da causa básica de óbito por acidente vascular cerebral isquêmico foi muito baixa. Além disso, nos grupos menos favorecidos a frequência de causa básica de óbito errônea foi maior. O que reforça a necessidade de capacitação dos profissionais para identificar a verdadeira causa básica e desta forma melhorar a qualidade da informação nos atestados de óbitos