Dissertação de mestrado, Biologia Marinha, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve, 2016The short-finned pilot whale, Globicephala macrorhynchus Gray (1846), is a marine
mammal species from the family Delphinidae. It is a top predator species, with a
circumglobal distribution from warm-temperate to tropical regions, at varying distances from
shore, including the Macaronesia region (NE Atlantic). Population connectivity can
profoundly influence the distribution, persistence and ecological impact of local marine
mammal species. Understanding population connectivity and its environmental drivers is
critical for effective wildlife conservation and management, namely in a context of increased
marine pollution associated to toxic contaminants, ocean noise and disruption of natural food
webs. The aim of this study was to compare Globicephala macrorhynchus individuals within
the Macaronesian’ archipelagos. It includes data (digital photographs) from Madeira between
2003 and 2015, from Azores between 1999 and 2015, from the Canary Islands between 1993
and 2015, and from Cape Verde in 2006. This thesis represents the first study comparing
individuals from this species within the four archipelagos of the Macaronesia. In this thesis,
the method used to study the animals’ connectivity was photo-identification, which is based
on the analyses of natural markings in dorsal fins. The dorsal fins were cropped from
photographs and were matched to available photo-identification catalogues for G.
macrorhynchus from Madeira and photos from the other archipelagos not catalogued yet. The
comparison was made by eyes using image softwares, based on the number of nicks and
notches in the dorsal fin of the different individuals. Results showed that 19 short-finned pilot
whales were matched, being 11 individuals between Azores and Madeira, and eight
individuals between Canaries and Madeira. Of these, 69% were categorized with a residency
status of “transient”, 26% of “resident”, and 5% of “visitors”. This thesis supports the
importance of the Macaronesia region for this species, and highlights the need for common
conservation policies across different archipelagos/countries.Os cetáceos (do latim Cetus "baleia" e do grego Ketos "enorme peixe") incluem 87 espécies
de golfinhos, baleias e botos, e com uma grande variabilidade de comprimento, que vai de 1.5
a 33 metros. Os cetáceos marinhos têm dois tipos de aparelho digestivo, barbatanas e dentes:
Odontoceti (baleias/golfinhos com dentes) e Mysticeti (baleias com barbas). Neste caso, irei
focar-me nos Odontocetes, que normalmente são agregados em grupos, também conhecidos
como pods, em que a estabilidade da estrutura do grupo é principalmente fornecida por laços
entre mães e filhos, e de facto, os grupos são formados principalmente pelas mães e as
respetivas crias. Geralmente os mamíferos marinhos são os principais consumidores na
maioria dos níveis tróficos: desde zooplâncton a peixes predadores, sendo que alguns deles
podem também alimentar-se de outros mamíferos marinhos. Conhecer os mamíferos
marinhos é o primeiro passo para a sua conservação, sendo ainda mais importante no caso de
algumas espécies que estão em risco de extinção devido à atividade humana (por exemplo, a
sobrepesca de presas de cetáceos e a pesca de alguns mamíferos marinhos).
A recente alteração natural e antropogénica do habitat coloca as espécies em risco. Além
disso, este clade está em perigo porque se a população começar a diminuir, eles terão
dificuldade em recuperar devido à sua maturidade sexual numa idade tardia e ao pequeno
número de juvenis que a fêmea pode dar à luz (Perrin et al., 2009). A espécie levada em
consideração durante este projeto de tese foi a baleia-piloto-tropical, Globicephala
macrorhynchus (Gray 1846), que é uma espécie de mamíferos marinhos da família
Delphinidae. Pode atingir um comprimento médio de seis metros, com um corpo robusto,
uma cauda espessa e uma barbatana dorsal larga. No que diz respeito ao mergulho, pode
atingir profundidades entre 1000 e 1300 metros com uma duração de mergulho de 21 a 27
minutos. Globicephala macrorhynchus é uma das principais espécies de predadores, com
uma distribuição global que vai desde regiões temperadas a regiões tropicais, a diferentes
distâncias da costa, incluindo a região biogeográfica da Macaronésia (NE Atlântico), que é
conhecida por incluir os quatro arquipélagos vulcânicos, de norte para sul: Açores, Madeira,
Canárias e Cabo Verde (Fernández-Palacios et al., 2011). A conectividade em subpopulações
geograficamente separadas influência profundamente a distribuição, persistência e impacto
ecológico das espécies de mamíferos marinhos locais. Compreender a conectividade da
população e as influências ambientais é fundamental para a conservação da vida selvagem e
gestão eficazes, devido ao perigo que esta espécie tem passado: perigo vindo da captura
direta até aos anos 80 (Kasuya et al., 1984), captura acidental, especialmente durante a pesca do atum e do espadarte (Forney et al., 2007), poluição química, como POPs e DDT que se
podem acumular nos músculos e tecidos blubber causando um impacto negativo (Dam et al.,
2000). Para além disto, há a poluição sonora e energia acústica, que pode ser ou não
intencional, como o sonar e a exploração sísmica e a propulsão do navio, respetivamente
(Nowacek et al., 2007). Além disso, o cativeiro tem um impacto importante em G.
macrorhynchus (Reeves, 1984) e na ruptura das cadeias alimentares naturais. O objetivo
deste estudo foi organizar e atualizar um catálogo de foto identificação de G. macrorhynchus
na Madeira (32 ° 45 'N / 016 ° 57' W), reunindo outras informações de foto-identificação
existentes coletadas de diferentes organizações individuais, universidades e empresas de
observação de baleias, entre 2003 e 2015 dos Açores (37 ° 44 'N / 025 ° 40' W), entre 1993 e
2015 das Ilhas Canárias (28 ° 17 'N / 016 ° 37' W), e em 2006 de Cabo Verde (14 ° 18'N /
022 ° 26'W). Após um estudo preliminar de foto-identificação de G. macrorhynchus efetuado
entre as Ilhas Canárias e a Madeira em 2007, esta tese representa o primeiro estudo a
comparar indivíduos dos quatro arquipélagos. O estudo dos cetáceos é difícil, uma vez que
eles podem movimentar-se rapidamente e passar grande parte do seu tempo debaixo de água
(Perrin et al., 2009). Várias técnicas são usadas para estudar a conetividade em populações de
cetáceos marinhos, entre as quais, experiências de monitorização de marcação e recaptura,
genética de populações e foto-identificação, sendo este último o método utilizado neste
projeto. Esta técnica é baseada na análise de marcas naturais em barbatanas dorsais para
identificação individual (e.g., incisões, arranhões, cicatrizes, formação de cristas dorsais,
padrões de pigmentação e padrões de calosidade), e foi anteriormente aplicada a G.
macrorhynchus para avaliar a organização social, a estrutura populacional e de residência e
os padrões de movimento em vários arquipélagos. Para o presente estudo, as barbatanas
dorsais foram analisadas a partir de fotografias obtidas e comparadas com catálogos de fotoidentificação
disponíveis de G. macrorhynchus da Madeira e fotografias não catalogadas dos
outros arquipélagos. A comparação das barbatanas destes animais foi feita visualmente,
considerando-se o número de cortes, entalhes e arranhões. Os resultados obtidos durante este
projecto demostram que indivíduos desta espécie movem-se dentro da área de estudo
(baseado em 19 indivíduos identificados em diferentes arquipélagos), em particular entre as
Ilhas Canárias e a Madeira (n=8), e entre os Açores e a Madeira (n=11). Embora não tenham
sido encontrados movimentos de G. macrorhynchus entre os restantes arquipélagos
estudados, não podemos ter certeza de que não estiveram presentes naqueles locais pelos
seguintes motivos: é possível a presença de erros, em alguns casos os dados eram escassos e
devido a um período de comparação pouco longo. Sem essas variáveis, pode haver maior probabilidade de ter G. macrorhynchus a corresponder também com outros arquipélagos da
área estudada, por isso, seria interessante ter mais dados para comparar e, assim, adquirir um
conhecimento completo e um melhor estudo do movimento da G. macrorhynchus na área de
estudo. Este estudo sobre o movimento de G. macrorhynchus pode ajudar no conhecimento
das espécies, da sua biologia e gestão da conservação