Recentemente, alguns autores demonstraram que o desempenho em provas
de memória não verbal pode envolver o recurso simultâneo a estratégias verbais e
visuo-espaciais para codificar a informação. A leitura tem sido apontada como um
factor que pode contribuir para o desenvolvimento destas estratégias de dupla codificação.
Neste estudo, fomos investigar se a capacidade de leitura interfere de algum modo
na utilização de mecanismos de dupla codificação. Comparámos o desempenho de
dois grupos de crianças com diferentes competências de leitura, mas equivalentes na
idade e em anos de escolaridade, numa prova de memória não verbal. Foram definidas
três condições experimentais, manipulando o grau em que os itens a memorizar eram
verbalizáveis. Os resultados mostraram que o grupo com melhores competências de
leitura apresenta um desempenho superior na condição pictórica mais difícil de verbalizar
quando comparado com o grupo com piores competências de leitura. Estes resultados
são discutidos à luz do contributo das competências de leitura na facilitação em utilizar
estratégias de dupla codificação para codificar a informação visuo-espacial em memória
de trabalho