Na tradição oral portuguesa subsiste um vastíssimo
corpus
de textos com valor ilocucionário,
quer dizer, investidos de força pragmática, ritual, aos quais se atribui uma eficácia que explica
a sua pulverização e persistência espacial e temporal. Essa riqueza contrasta
–
mau grado os
abundantes espécimes reunidos
em cancioneiros, romanceiros e monografias
–
, com a quase
inexistência de colectâneas portuguesas exclusivamente dedicadas a esses poemas orais com
função oracional, devocional, actuantes sobre potências e forças superiores ou exteriores ao
homem. Tratand
o
-
se embora de uma fascinante forma de poesia que se presta a enfoques
analíticos aptos a destacar as junturas interdisciplinares que a notabilizam enquanto terreno
pregnante de sentidos, a verdade é que também não beneficiou ainda em Portugal de um
trabal
ho analítico de fôlego capaz de apreciar conjuntamente alguns dos seus aspectos
(antropológicos, sociológicos, etnográficos, religioso
-
profanos, literários, etc.)