'Programa de Pos-graduacao em Ciencias Contabeis da UFRJ'
Abstract
O objetivo deste trabalho é entender como e porque há uma mitigação do princípio da
presunção de inocência no Brasil, legitimado pelo próprio estado. Para tanto, a primeira parte
do trabalho se destina a percorrer a história do surgimento do Estado, especialmente no que se
refere aos seus poderes punitivos inerentes à sua autoridade, que acabam por legitimar uma
violência. Com efeito, a segunda parte do presente dedica-se a trabalhar o princípio da
presunção de inocência como instrumento de limitação desse poder punitivo estatal. Assim,
tendo em vista que o direito penal se mostra como um dos principais meios de permissão às
arbitrariedades do próprio governo contra o cidadão, importante analisar a partir de quais
influencias esse princípio foi recebido e aplicado no Direito Processual Penal brasileiro. Dessa
forma, tentar esclarecer, as possíveis razões pelas quais podemos presenciar severas
mitigações de tal preceito constitucional. Nessa perspectiva, conclui-se que a mitigação da
presunção de inocência, por maioria das vezes, possui alvos específicos, que são delimitados a
partir da ideia do direito penal do inimigo. Como se pretende mostrar ao longo da pesquisa, a
criação de um personagem a ser combatido auxilia para que a supressão de direitos e garantias
seja legitimada por quem assiste sem reagir, ou seja, nós, a população. Embora não sejam
apenas os aparatos estatais os palcos dessas arbitrariedades, em sede de pesquisa, fica mais
concreto para uma analise. Portanto, por fim, a terceira parte do trabalho busca relacionar os
últimos entendimentos do Supremo Tribunal Federal acerca da presunção de inocência, bem
como, analisar algumas das propostas levantadas no Projeto de Lei Anticrime de Sérgio
Fernando Moro