'Programa de Pos-graduacao em Ciencias Contabeis da UFRJ'
Abstract
Este trabalho faz parte do projeto de “Determinação das áreas–fontes para as argilas esmectíticas das bacias tafrogênicas do Rift Continental do Sudeste do Brasil” (LAGEMAR/ CENPES – PETROBRÁS). A Bacia de Taubaté está localizada na porção leste do Estado de São Paulo, ocupando o segmento central do Rift Continental do Sudeste do Brasil - RCSB (RICCOMINI, 1989), entre as cidades de Queluz e Itaquaquecetuba (SP). Para a realização deste estudo, foi efetuada uma sondagem de 220 m com testemunhagem contínua e perfilagem na mineradora Aligra-Indústria e Comércio de Argila Ltda. (Taubaté/SP), tendo como objetivo identificar as litofácies presentes e compará-las aos dados de perfilagem geofísica de poço. As rochas amostradas são típicas da Formação Tremembé, originalmente definida por ALMEIDA (1958), que
corresponde, na concepção de RICCOMINI (1989), a um sistema lacustre do tipo ‘playa-lake’, de idade oligocênica, desenvolvido na porção central da Bacia de Taubaté e, de forma mais restrita, na Bacia de São Paulo. Na indústria do petróleo, a correlação rocha–perfil é amplamente utilizada. Neste trabalho, pretende-se utilizar integradamente a aquisição geofísica de poço e a amostragem contínua de rochas em subsuperfície, visando estabelecer um quadro evolutivo local para o Oligoceno da Bacia de Taubaté. A testemunhagem contínua da porção superior do espesso pacote argiloso da Formação Tremembé permitiu a classificação e análise da sucessão faciológica desta parte da bacia, e a definição de intervalos com assinaturas geofísicas particulares. A análise do conjunto de perfis geofísicos adquirido (Raios Gama, Resistividade por Indução e Sônico) indica uma melhor resposta dos dois primeiros perfis para a identificação dos pacotes pelíticos devido à pouca variabilidade da velocidade sônica. A integração da descrição geológica e de perfis permitiu o estabelecimento de alguns padrões ou assinaturas geofísicas para as principais fácies ocorrentes:
Argilito maciço: RG variável e Resistividade mais alta que as fácies 2, 3, 4 e 6. Folhelho: RG mais baixo que o folhelho pirobetuminoso e Resistividade mais alta que o folhelho pirobetuminoso. Folhelho pirobetuminoso: RG alto (maior que todas as outras fácies) e Resistividade baixa (menor que todas as outras fácies).
Argilito siltoso: RG mais baixo que o folhelho e Resistividade mais alta que o folhelho. Argilito maciço a laminado calcífero: RG baixo (menor que todas as outras fácies) e Resistividade alta (maior que todas as outras fácies). Em termos de evolução da bacia, é importante notar a ocorrência de estruturas típicas de exposição (gretas de contração) e de rochas papiráceas (pirobetuminosas), típicas de ambiente anóxico e de baixa energia, indicando variações eventuais da lâmina d’água desse paleo-lago durante a Época oligocênica que são identificáveis nos perfis geofísicos. Os resultados obtidos por este estudo fornecem subsídios relevantes à identificação de áreas fontes para os sedimentos das bacias marginais adjacentes ao
RCSB (Bacias de Campos e Santos), bem como contribui no entendimento da gênese de pacotes argilosos semelhantes já identificados na Bacia de Campos. A aplicação destas informações na exploração e desenvolvimento podem auxiliar a exploração e desenvolvimento nesta bacia marginal