Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Doi
Abstract
Esta comunicação apresenta alguns resultados da pesquisa de mestrado a respeito da educação enquanto forma de resistência. O objeto deste estudo é o ensino elementar clandestino, posto em prática pelos educadores logo após o fechamento do gueto de Varsóvia, época em que as crianças e jovens vivenciavam situações extremas de intolerância. A partir de registros de época, procurou-se conhecer as estratégias direcionadas para preservar os judeus como povo,visto que esses estavam condenados ao extermínio pelos nazistas. Constatou-se que a educação, em distintos momentos e espaços clandestinos, serviu para garantir o mínimo de dignidade, fosse física ou cultural, aos judeus excluídos pelos nazistas como “raça inferior”. Como espaço de resistência, tem-se como exemplo as cantinas-escola da Rua Karmelicka n° 29, da Rua Krochmalna n° 36 e da Rua Nowolipki n° 68, nas quais foram implementadas o Programa dos Cursos Clandestinos sob a tutela da instituição de ensino TsYShO. A relevância deste estudo está em analisar a ação daqueles que se encontravam degradados da condiçãohumana, que buscavam, por meio da educação clandestina, fazer frente aos conceitos nazistas, preservando sua dignidade e defendendo sua própria ideologia, vinculada a sua sobrevivência e a sua continuidade como indivíduos e como povo