Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina. Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina do Trabalho.
Doi
Abstract
A hipoglicemia como causa de morte criminosa é rara e de diagnóstico difícil. O objetivo destarevisão é alertar os envolvidos na investigação criminal para identificar a possibilidade de a hipoglicemia ser provocada de forma criminosa bem como discutir os procedimentos periciais relacionados a ela. A presente revisão encontrou 69 casos da literatura mundial, sendo a maioria dos criminosos parentes próximos, com alguma noção sobre a utilização de insulina, e a maioria das vitimas sobreviveram quando descobertas e responderam ao tratamento. As vítimas, na sua maioria, eram crianças, idosos ou enfermos. Hipoglicemia é o primeiro indício do uso homicida da insulina em indivíduos vivos e requer a demonstração da concentração da insulina plasmática maior que 1000 pmol/L e níveis indetectáveis de peptídeo C plasmático para estabelecer o diagnóstico. Medidas de glicose plasmática são de pouco valor quando a vitima é encontrada morta. Imunoensaios disponíveis para uso clínico para detectar e mensurar insulina e peptídeo C podem ter erros analíticos e não podem ser considerados confiáveis, a menos que precauções especiais, incluindo separação por gel de filtração ou cromatografia líquida de alta pressão, sejam adotadas previamente à análise. Se forem identificadas marcas de injeção, o médico legista deve remover uma área de tecido adjacente e encaminhar para análise imunohistológica. O legista também deve solicitar dosagem de sulfoniluréia por espectrometria de massa em amostras de sangue e urina para afastar a possibilidade do emprego deste agente, que pode mascarar o quadro laboratorial.Hypoglycemia as a cause of criminal death is rare and of difficult diagnosis. The purpose ofthis review is to alert those involved in criminal investigations to identify the possibility of hypoglycemia being caused in a criminal manner as well as to discuss the forensic procedures related thereto. This review found 69 cases of global literature, the majority of the criminals being close relatives, with some knowledge of the use of insulin, and the majority of the victims survived when they were discovered and responded to the treatment. Most of the victims were children, elderlies and patients. Hypoglycemia is a first sign of homicidal use of insulin on live persons and requires the demonstration of a concentration of plasmatic insulin over 1000pmol/L and undetectable levels of plasmatic peptide C to establish the diagnosis. Measurements of plasmatic glucose are trifling when the victim is found dead. Immunoassays available for clinical use to detect and measure insulin and peptide C may have analytical errors and should not be considered reliable, unless special precautions, including the separation by gel filtration or high-pressure liquid chromatography, are taken before the analysis. If injection marks are identified, the coroner should remove an area of adjacent tissue and forward it for immunohistological analysis. The coroner should also request a dosage of sulfonylurea by mass spectrometry on blood and urine samples to eliminate any possibility of usage of such agent, which could disguise the laboratorial condition