1871: o ano que não terminou

Abstract

Em 1871, com a publicação de Sis-temas de Consanguinidade e Afinidade da FamíliaHumana, de Lewis Henry Morgan, a antropologiado parentesco definiu pela primeira vez uma órbitaprópria, livre do campo gravitacional da história, dodireito e da filologia. Neste livro, Morgan propõeum objeto, um método e uma técnica de observaçãodos fenômenos classificados sob a rubrica “parentes-co”, que o autor define como a expressão formal e oreconhecimento social das relações naturais entre osindivíduos (1871, p.10). Esta definição está no cen-tro de um dos debates mais antigos da antropologia,a relação entre parentesco e genealogia, que atraves-sa cento e quarenta anos da disciplina e, a julgar porseus desdobramentos mais recentes, promete aindamuitos anos de polêmica.n 1871, with the publication ofLewis Henry Morgan’s Systems of Consanguinity andAffinity of the Human Family, the anthropology ofkinship broke free from the gravitational pull ofHistory, Law and Philology to become establishedas a field in its own right. Along with a field of studyMorgan proposed a method and techniques of datacollection of phenomena grouped under the rubricof kinship (“system of consanguinity”). He defined“kinship” as a formal expression and social recog-nition of natural relations between individuals of agiven collectivity (1871, p.10). This definition hasbeen at the center of one of the most longstandinganthropological debates. The relationship betweenkinship and genealogy has generated controversyfor some 140 years and, to judge by the most recentdevelopments, promises to continue to incite deba-te far into the future

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