Universidade de São Paulo. Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária.
Doi
Abstract
The article addresses the problems of interventions in contemporary architecture - an issue that has emerged at least twenty years ago, without reaching sufficient maturity so far. Analyzing different theoretical orientations and intervention modalities, the author identifies a diffuse tendency to re- make rather than maintaining and, as a consequence, the suppressing of built parts and of authentic materials, as well as a progressive loss of architectonic memories. In opposition to this diffuse praxis, the work realized in the Pirelli skyscraper in Milan followed a conservative approach of intervention, concretely demonstrating that the restoring of modern architecture can be faced with the tools offered by the disciplinary field of restoration - that is to say, with the utilization of theoretical, methodological and scientific rigour. For that matter, an arduous critical process is required, through which an adequate conservative approach can develop, as well as a creative opening for the project, making the preservation of the building and its transmission to the future possible, according to the restoration principles. Through her analysis, the author shows that to deny modern heritage the possibility of a conservative approach is unjustifiable and devoid of theoretical basis.O artigo trata de problemas de intervenção na arquitetura contemporânea, questão que se coloca há pelo menos vinte anos mas que ainda não atingiu maturidade suficiente. Analisando as várias orientações teóricas e as modalidades de intervenção, a autora evidencia uma tendência difusa a refazer, antes que conservar, tendo- se por conseqüência o cancelamento de partes e de materiais autênticos, e uma progressiva perda de memórias arquitetônicas. Contrapõe a essa prática difusa, a obra realizada no arranha- céu da Pirelli em Milão, em que se percorreu o caminho da intervenção conservativa e que demonstrou concretamente, na prática, que o restauro da arquitetura moderna pode ser enfrentado com os instrumentos oferecidos pelo campo disciplinar da restauração, que exige que se enfrente a questão com rigor teórico, metodológico e científico. Para tanto, é necessário um processo crítico árduo, através do qual se desenvolva uma atenção "conservativa" adequada e uma abertura criativa para o projeto - que não é a livre transformação ou inovação, mas é interna à obra - ; e que de fato possibilite a conservação da obra e sua transmissão ao futuro, como quer a restauração. Através de suas análises, a autora mostra ainda que negar a possibilidade de conservação do moderno é injustificado e sem fundamento teórico