Tese de mestrado, Cultura e Comunicação, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2013Este trabalho tem como principal objectivo analisar a comunicação e as práticas
semióticas levadas a cabo nos espaços públicos designados por Augé como não-lugares.
Caracterizados como espaços por natureza não-identitários, não-relacionais e não-históricos,
os não-lugares motivam práticas comunicacionais muito distintas quando comparados com
outros espaços também de natureza pública. Que diferenças são estas? É, precisamente, o que
se pretende apurar ao longo dos quatro capítulos desta tese.
O ponto de partida para esta discussão são as condições de excesso da
sobremodernidade, conceito desenvolvido por Augé para definir o período contemporâneo. A
sobremodernidade surge, assim, caracterizada pela cultura do excesso, nomeadamente a três
níveis: em termos de tempo, espaço e indivíduo. As transformações notadas por Augé em
cada uma das dimensões referidas conduzem ao aparecimento de um novo espaço público, em
tudo diferente da noção de espaço público herdado da antiguidade. Este novo espaço público
é o não-lugar.
Definido por oposição ao lugar, o não-lugar, pelas possibilidades que oferece
(transporte, consumo, lazer, comunicação) atrai uma quantidade de indivíduos cada vez
maior. Porém, nestes espaços, a distância social vence a proximidade física. Que estratégias
comunicacionais são, então, adoptadas pelas entidades que gerem os espaços no sentido de
colmatar as falhas resultantes da não-relação do não-lugar? Uma análise após o levantamento
de algumas mensagens que circulam nos não-lugares identifica a comunicação visual como
uma marca destes espaços.
Atendendo à natureza global dos não-lugares e à diversidade de sujeitos que acolhem,
chega-se à conclusão que, nestes espaços, são emitidos, essencialmente, três tipologias de
mensagem: mensagens informativas, mensagens prescritivas e mensagens proibitivas. Com o
principal objectivo de uniformizar os comportamentos, verifica-se, como recurso constante, o
uso da linguagem icónica na transmissão destas mensagens. A linguagem verbal tende a ficar
em segundo plano, como complemento da comunicação visual, sendo fortemente determinada
pelo inglês enquanto língua global de comunicação.ABSTRACT: Non-places are defined as spaces where there is no identity, personal relations nor
history. As a consequence, there may be identified several communicative practices which
differ from other public spaces. The main purpose of this study is precisely the analysis of
communication and semiotic practices in non-places, as put forward by Augé, in order to
answer the question “What are the main differences between non-places and others public
spaces in terms of communication?”.
For a start, we will focus on the concept of supermodernity and its three dimensions of
excess in accordance with Augé’s perspective. In fact, supermodernity is defined by a culture
of excess projected through three dimensions: time, space and people. The changes noted by
Augé in each of these dimensions perform a new type, perception and usage of public space:
the non-place.
After establishing the theoretical and conceptual framework and, particularly, the
change of paradigm we move forward and analyze the non-place per se and in opposition to
the concept of place. A non-place attracts an increasing number of people due to its special
features such as transportation, consumption, leisure, and communication. However, and
despite the fact that people are physically closer to each other, social distance is striking. The
non-relational aspect of non-places leads to another question: What strategies are developed
to fill the relational gaps?
Further to the analysis of a sample of messages selected in non-places, it seems safe to
argue that visual communication is the key in such spaces. In fact, considering non-places as
spaces of diversity we conclude that the communication is established through three main
types of messages: informational messages, prescriptive messages and forbidding messages.
In the end, we conclude that, in the context of globalization, the iconic language is
used in the transmission of messages envisaging the standardizing behaviors. Images are,
thus, crucial to represent reality. As a result, non-places use visual communication as an
alternative or complement to verbal language (strongly influenced by the English as a global
language)