Mestrado em Psicologia Clínica e da SaúdeO estudo apresentado envolveu a análise das relações entre a alexitimia e a
habilidade de reconhecimento facial, considerando o impacto dos
comportamentos de evitamento caraterísticos da ansiedade social. A utilização
de comportamentos de evitamento que reduzem a exposição e atenção a
pistas faciais relevantes parece afetar o desempenho dos participantes com
elevada ansiedade social em tarefas de reconhecimento de faces. Na medida
em que indivíduos com elevados índices de alexitimia também aplicam
estratégias de evitamento em situações de interação social, foi colocada a
hipótese das habilidades de reconhecimento facial serem também reduzidas
entre estes indivíduos. Para este efeito participaram no estudo cinquenta e
cinco estudantes da Universidade de Aveiro, que responderam a uma bateria
de questionários de autorresposta e desenvolveram duas tarefas
computorizadas de reconhecimento de faces e de carros. Os resultados
refletem o efeito negativo da ansiedade social na identificação e descrição de
sentimentos, promovendo o desenvolvimento da alexitimia. Apesar de
contrariarem a hipótese central do estudo, participantes com maiores índices
de alexitimia apresentaram menor tempo de resposta em tarefas simples de
reconhecimento facial. Estes dados abrem caminho para uma investigação
futura, no sentido de compreender se a vantagem no tempo de resposta dos
sujeitos com alextimia entre a população geral pode ser devida ao recurso
exclusivo ou prevalente a pistas estruturais, que afetam o processamento
facial de forma positiva na identidade e de forma negativa ao nível da
expressão.The presented study focused on the analysis of the relation between
alexithymia and facial recognition, considering the impact of avoidance
behaviors typical from social anxiety. The use of avoidance behaviors reduces
exposure and attention to relevant facial cues and seems to affect the
performance of individuals with high social anxiety in face recognition tasks. To
the extent that people with high levels of alexithymia also apply avoidance
strategies in social interaction, it was hypothesized that facial recognition skills
are also reduced among these subjects. To this end, fifty-five students from the
University of Aveiro participated in the study, by responding to a battery of
inventories and developing two computerized recognition tasks, one with faces
and other with cars. The results reflect the negative effect of social anxiety in
identifying and describing feelings, promoting alexithymia development.
Despite contravening the central hypothesis of the study, subjects with higher
levels of alexithymia showed lower response time on simple tasks of facial
recognition. These data make way for future research in order to understand
whether the advantage in response time of the subjects with alexithymia in the
general population may be due to the unique feature or prevalent use of
structural cues, which affect facial processing by an ambiguous effect between
its dimensions, positive in identity and negative under expression