Resumo: Definir “fronteiras raciais” no Brasil parece ser um
problema mais profundo do que em qualquer outro país, porque
uma marca identificatória brasileira é - precisamente - a forte miscigenação, que pelo tamanho e diversidade da população só pode ser comparado aos Estados Unidos da América, dois casos
com poucos precedentes na história. Segundo pesquisas, um
“brasileiro branco” é uma pessoa que “parece branco” e é
socialmente aceito como “branco”, independentemente da
ascendência, especialmente em razão da sua situação econômica.
Uma das formas de implementação das denominadas
“Políticas de igualdade” no Brasil nos últimos anos tem sido
por meio de ações políticas denominadas Ações afirmativas,
medidas positivas tomadas para aumentar a representação
das minorias nas áreas do emprego e da educação. Como essas
ações envolvem seleção preferencial com base em raça, gênero
ou etnia, a ação afirmativa pode, no entanto, gerar intensa
polêmica. O caso brasileiro se torna mais relevante com a
recente chegada de consumidores das camadas economicamente
excluídas da população brasileira às universidades
e ao mercado mais amplo de consumo o que parece ter
acentuado a intolerância em relação às diferenças étnicas
e sociais, especialmente detectada nas redes sociais. Freud
abordou os mecanismos de segregação existentes na cultura
para explicar como humanos vivendo em sociedades teriam
propensão à agressão uns contra os outros. Para isso, diz
ele, haveria um processo no sentido de estigmatizar o outro
com pequenas diferenças que construiriam o estranhamento
deste outro e a segregação nos grupos