A sala de aula invertida como prática integradora: possibilidades e implicações / Inverted classroom as an integrative practice: possibilities and implications

Abstract

Este artigo de cunho científico tem como temática a abordagem pedagógica (sala de aula invertida – conhecida como flipped classroom, um método de ensino através do qual a lógica da organização da sala de aula é de fato invertida por completo).  O espaço de sala de aula passa a ser reservado a atividades práticas destinadas à aplicação dos conceitos. Esta discussão teve sua origem na Disciplina de Práticas Educativas em EPT do Mestrado Profissional em Educação Profissional Tecnológica - ProfEPT, campus Mossoró. O presente artigo tem como objetivo fazer uma interlocução entre a abordagem metodológica sala de aula invertida, estruturada nos seus quatro pilares fundamentais conhecidos como “F-L-I-P”: Flexible Environment (Ambiente Flexível); Learning Culture (Cultura de Aprendizagem); Intencional Content (Conteúdo Dirigido) e Professional Educator (Educador Profissional) (BERGMANN; SAMS, 2016) e os eixos estruturantes que orienta a formação humana integral, sendo estes: trabalho, ciência, tecnologia e cultura; (Moura; Silva; Filho (2015); mediante revisão da literatura de autores das distintas concepções de ensino, entre os quais, Bergmann (2016), Moran (2015), Valente (2014), Moura; Frigotto (2015), Ramos (2015), dentre outros. Para que a aprendizagem invertida ocorra, os professores deverão incorporar quatro pilares fundamentais. A sala de aula invertida fundamentada nestes quatro pilares visa a promoção da autonomia do aluno mediante a flexibilização do ambiente, colocando a instrução centrada no aluno, enquanto o professor determina o que deve ensinar, os materiais, avaliando e controlando o processo em sala de aula. As habilidades socioemocionais, que compreende a autonomia, a colaboração e a criatividade, são advogadas pela Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), consideradas essenciais para a obtenção de sucesso no mercado de trabalho. Outros autores compreendem o homem como ser histórico-social, que produz conhecimento como síntese da transformação da natureza e de si mesmo. Embora as habilidades socioemocionais defendidas pela OCDE vise à qualificação para o trabalho, é na relação do homem com a natureza e nas relações no processo produtivo que o homem se reconhece como ser histórico-social. As interações e as atividades significativas face a face promovidas pelo professor são as mais importantes na inversão da sala de aula, característica marcante do pilar Profissional Educador, Bergmann e Sams (2016), da mesma forma que uma prática pedagógica integradora requer, do docente, uma atitude também integradora em sua didática, Frigotto; Araújo (2015). A inversão não trata apenas da substituição do professor por materiais extraclasse como vídeos, de modo que o pilar Conteúdo Dirigido abrange a definição de quais conteúdos os alunos devem acessar por contra própria. Assim no momento da promoção em sala do debate entre os alunos sobre o conteúdo estudado, o professor tem papel crucial para a criação conexões entre este conteúdo e a realidade onde os alunos estão inseridos, tornando os alunos agentes de seu aprendizado, como preconiza a didática integradora. Portanto, a abordagem de sala de aula invertida permite fazer uma interlocução com a proposição de formação humana. Omnilateral e unitária defendida por Marx e Gramsci, já que a sala de aula invertida permite a combinação com metodologias ativas de aprendizagem. 

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