Em tempos de comunicação móvel, parece que as velhas práticas da tragédia grega estão de
volta. Há algo de estranho em comum entre o século V a.C. e a interatividade tecnológica dos
dias atuais: exposição sem critérios de imagens de horror. A representação trágica que ocorria
nos palcos a partir dos tragediógrafos como Ésquilo, Sófocles e Eurípedes encontra-se banalizada
nas telas móveis da chamada geração smartphone. Há que se verificar uma gravidade a
mais nesta espécie de reedição do sensacionalismo imagético: o poder de rejeição e/ou de compartilhamento
do espectador é bem maior. No entanto, o que se vê é o encantamento do sujeito
pelas imagens de horror e o aumento do poder de impacto das cenas violentas.
Artigo inspirou-se numa campanha publicitária alemã “Sei Kein Gaffer”
(“Não seja curioso”), de 2016 da agência de notícias Deutsche Welle, que
chama a atenção para o registro de imagens de pessoas em situação de
emergência, em função do excesso de fotografias de acidentes feitas com
telefone celular. Além disso, algumas imagens de primeira página dos jornais
também motivaram esta reflexão sobre os limites para publicação e
compartilhamento de imagens de horror.
Empiricamente pesquisa com 400 usuários de smartphone, que têm o hábito de partilhar imagens
desta natureza, buscou entender suas motivações para divulgar imagens violentas e com
que frequência compartilham a dor e sofrimento alheio como forma de interação digital com
o mundo