Associação Mundial para a Formação em Turismo e Hotelaria, AMFORHT
Abstract
Partindo-se da compreensão que o turismo é uma atividade de grande
crescimento em todo o mundo, é possível observar seus impactos nos locais
onde se tem desenvolvido d99e forma desordenada e sem uma gestão
sustentável. Neste caso podemos ver o turismo de massa, geralmente
caracterizado pela ampla divulgação e pouca preocupação com infra-estrutura,
acolhimento dos turistas, proteção dos meios natural e cultural e resultados
para a população local. Ao contrário deste, alguns segmentos turísticos pelos
seus próprios objetivos e perfis dos turistas podem gerar benefícios de forma
sustentável para o núcleo receptor. Como exemplo pode-se citar o enoturismo.
Uma atividade relacionada ao vinho e que está diretamente ligada ao modo de
produção local, ao conhecimento da forma como vivem as pessoas que
trabalham nos locais. Pode-se destacar que um dos principais objetivos do
enoturista é ver e vivenciar a realidade local. Por isso, o enoturismo pode ser
um exemplo do turismo de experiência, ao permitir que os turistas vivenciem a
realidade local. As atividades turísticas ligadas à produção do vinho são hoje para
muitos países, alternativas para o desenvolvimento regional. Costa e Dolgner (2003)
explicam que “o enoturismo, associado a uma estratégia de marketing, terá como
objetivo fundamental a promoção do desenvolvimento regional numa perspectiva
econômica, social, cultural e ambiental” Assim, o presente estudo propôs discutir o
enoturismo como uma forma inovadora da preservação do patrimônio cultural a ser
desenvolvido nos destinos turísticos onde se tem a produção de vinhos. Para a
consecução do objetivo deste trabalho foram feitas pesquisas bibliográficas em livros,
sites, revistas científicas, com o intuito de realizar um estudo exploratório inicial, que
terá continuidade em um projeto de doutorado. O conceito utilizado neste trabalho para
patrimônio cultural será o de Boyd (2002, p. 213) por apresentar toda a amplitude do
termo, ao considerar que “o patrimônio deve ser dividido em: natural (locais de beleza
extraordinária), cultura (costumes), industrial e pessoal (aspectos que têm significado
para uma pessoa ou grupos de pessoas) e também propõe que as formas de turismo
recreativo praticadas dentro de um bem patrimonial, seja natural ou cultural, sejam
classificadas como turismo cultural”. O enoturismo, segundo Hall e Sharples (2003), pode ser definido como a visita, às vinícolas, aos festivais de vinho, aos espetáculos
relacionados, de modo a provarem os vinhos produzidos nessas regiões visitadas. Costa
(2009) acrescenta que essas atividades, como a experiência de observar a fabricação dos
vinhos, experimentar os diferentes tipos de vinhos produzidos numa determinada
região, provar a gastronomia local e conhecer os costumes regionalizados é uma forma
especial de entrar em contato direto com a cultura, com o meio e com a população de
um local em visitação. Segundo Inácio e Cavaco (2010), “o enoturismo surgiu após a
Segunda Guerra Mundial, com as visitas às caves e adegas, porém, somente nos anos
noventa surge como fenômeno autônomo”. O turismo vem se dividindo em vários
segmentos e nichos com o objetivo de atender às expectativas dos consumidores. Como
resultado dessa divisão, tem-se o surgimento de vários produtos turísticos que vão se adequando não só à demanda, mas também às características dos núcleos receptores, o
que vem permitindo atender de forma mais criteriosa diferentes públicos e também
viabilizando a implantação de atividades turísticas em diversos locais, e não apenas nos
grandes centros urbanos ou nos locais de sol e mar. Regiões antes, sob o ponto de vista
do turismo de massa, sem qualquer atrativo turístico têm-se tornado, altamente atraentes
para o turismo, após a definição dos segmentos de atuação turística. O enoturismo pode
ser citado como um exemplo de nicho que vem possibilitando a implantação da
atividade turística em regiões antes consideradas sem qualquer vocação turística. De
acordo com Oliveira (2003) o enoturismo por sua especificidade encontra no meio rural,
e em especial nas regiões menos desenvolvidas, o seu local de desenvolvimento, pois
estes territórios conservam as características originais. O enoturismo ao despertar o
interesse pelo patrimônio local contribui para a conservação dos prédios, história,
artesanato, gastronomia, entre outros. Um exemplo é a Biltmore House, na Carolina do
Norte, Estados Unidos, onde a maior casa de família do país, com 250 cômodos, passou
a ter sua principal fonte de renda a partir do enoturismo e do turismo gastronômico.
“Como conseqüência, o turismo foi um fator de revitalização assim como de afirmação
cultural e econômica do local”. (www.furb.br). Segundo Oliveira (2003), um dos
grandes atrativos do enoturismo é o elevado gasto médio diário dos turistas, e o fato de
os enoturistas buscarem conhecer locais que conservaram as características etnográficas
e a autenticidade, estimula a proteção das tradições e do meio-ambiente como forma de
perpetuar a oferta turística. O enoturista tem como fator de motivação o conhecimento,
o aprendizado, e por isso respeita e promove a valorização dos costumes das populações
receptoras. Ao valorizar essas populações, incentiva a preservação do patrimônio
histórico, viabiliza a participação ativa da comunidade na organização das atividades
turísticas e a inserção destes no mercado de trabalho