Será a natureza normativa? Será a ética natural? Estará o nosso comportamento inscrito
nos genes? Haverá genes éticos? Qual a amplitude de liberdade que a biologia nos dá?
O que comandará as decisões morais, as emoções ou a razão? Existirá uma biogénese
no que toca aos humanos? Tal significará que a função ética também é uma função
adaptativa? Quais as verdadeiras implicações de tudo isto, por exemplo, no que diz
respeito à conduta moral; esta será determinada pela nossa escolha e decisão livres ou é
fruto de uma resposta utilitária face às exigências de sobrevivência?
Estas são algumas das questões principais que guiarão o nosso trabalho no confronto,
discussão e análise entre o paradigma habitual de pensamento sobre o comportamento
social e moral e as consequências da tese naturalista e evolucionista dos fundamentos
naturais da ética quanto às motivações que radicam nos nossos juízos morais e quanto
ao carácter determinista ou de livre arbítrio da actuação moral.
Tal como J.-P. CHANGEUX nos chama a atenção, trata-se, em última análise, de
perceber onde radica o problema, o qual, do ponto de vista filosófico, passa por definir o
que é uma norma ética e qual o seu fundamento; i.é, “existe uma ética objectiva sem
outro fim que ela mesma, ou…pelo contrário, a ética encontra a sua explicação na
história da vida e nas sociedades humanas”? (CHANGEUX,1996:9).
Palavras