Nesta comunicação propomo-nos reflectir em torno de uma questão que tem estado afastada das abordagens pedagógicas em educação pré-escolar: a relação das crianças com o saber. Habitualmente, e porque por saber se entende a corporização de uma selecção cultural determinada oficialmente (currículo prescrito), esta questão não é considerada central em educação pré-escolar. Porém, os currículos existem, são apreensíveis e veiculam saberes, pelo que a questão se torna pertinente. Os discursos pedagógicos baseados na teoria normativa ancoradas na visão antinómica pedagogia tradicional/transmissiva versus novas pedagogia/activa e, simultaneamente, fundadas nas teorias psicológicas, opondo ambientalismo ao desenvolvimentismo e construtivismo apresentam limitações que necessitam ser superadas pelo educador que trabalha com crianças concretas, já que a positividade das relações com o saber pode ser apoiada pela atenção dada a formas de relação pessoais e grupais particulares.
É um facto que o conhecimento das crianças reais é inevitavelmente informado pelo que julgamos saber sobre elas (Walsh & Graue, 2003), que não podemos simplesmente esquecê-lo nas situações de interacção, seja no papel de educadores, ou de investigadores. Porém, torna-se necessária uma mudança de atitude com vista à construção de conhecimento que permita o questionamento, facto que exige uma atitude exploratória, que se abra a todas as possibilidades, o que pode ocorrer, do nosso ponto de vista, através da atitude fenomenológica de colocar entre parênteses o que sabemos sobre elas.
Esta abordagem comporta em si implicações importantes, nomeadamente, no que diz respeito à concepção do currículo em que crianças e educadores possuem interesses que necessitam encontrar-se