Da observação dos danos provocados por diversos sismos recentes,
verifica-se que o escorregamento aço-betão é uma das principais causas de
dano e colapso de edifícios existentes de betão armado. Em muitos países,
este fenómeno assume particular importância nos edifícios construídos até aos
anos 70, com armadura lisa e anteriormente à introdução dos primeiros
regulamentos que contemplam a acção sísmica com maior detalhe. Este tipo
de estruturas apresenta, geralmente, pormenorização deficiente da armadura,
fracas condições de aderência e confinamento inadequado do betão. As
ligações viga-pilar nas estruturas de betão armado são pontos onde ocorrem
danos significativos quando as estruturas estão sujeitas a carregamentos
cíclicos, uma vez que nestas zonas ocorre a maior concentração de esforços.
O fenómeno do escorregamento assume particular relevância nas ligações
viga-pilar, devido aos maiores esforços que aqui se desenvolvem mas também
ao facto de nestas zonas se realizar tipicamente a ancoragem dos varões
longitudinais dos pilares e/ou vigas.
Neste artigo são apresentados os principais resultados dos ensaios
cíclicos de dois nós viga-pilar, com igual geometria e igual pormenorização da
armadura, representativos de nós interiores de edifícios de betão armado
construídos até meados dos anos 70 sem pormenorização adequada para
fazer face à acção sísmica. Um dos nós foi construído com armadura lisa (com
fracas condições de aderência) e o outro nó com armadura nervurada (com
boas condições de aderência). Faz-se também a comparação dos resultados
obtidos para compreender a influência das condições de aderência na resposta
cíclica de nós interiores viga-pilar deste tipo de estruturas de betão armado.
Dos resultados obtidos, conclui-se que o fenómeno do escorregamento
condiciona significativamente o desempenho das estruturas com armadura lisa
quando solicitadas por acções cíclicas