Com base num inquérito representativo da população
portuguesa entre 18 e 65 anos, realizado em
2007, este estudo investiga o impacto de fatores de
rede social sobre os comportamentos sexuais dos
indivíduos. Através da percepção normativa dos
inquiridos sobre a moral sexual dos seus amigos e familiares
e de indicadores relativos à caracterização
da rede de confidência sexual, tais como o número, a
identidade, o gênero, a idade e o comportamento dos
confidentes em matéria de sexualidade e prevenção
face ao risco de infecção por DSTs, obtivemos um
retrato multidimensional das redes sociais dos
indivíduos. A realização de análises de regressão
linear e logística permitiu avaliar o impacto preditivo
da rede sobre o número de parceiros sexuais,
as relações sexuais ocasionais e o uso do preservativo.
Os dados mostram que os fatores de rede são
importantes para explicar o comportamento sexual
dos indivíduos. Redes constituídas por amigos e
mais liberais em termos de moral sexual tendem a
influenciar o comportamento sexual, levando a um
maior experimentalismo, sobretudo no caso das mulheres.
Por outro lado, a homologia entre o comportamento
sexual dos confidentes e o dos inquiridos
é relevante para explicar o recurso ao preservativo
nas relações sexuais ocasionais, especialmente no
caso dos homens. Tanto numa perspectiva relacional
da sexualidade como numa óptica epidemiológica,
a análise das redes sociais dos indivíduos constitui
um aspecto importante para a compreensão e
explicação da variedade de experiências sexuais, mais restritas ou mais plurais, e para os riscos de
infecção que daí podem advir