Neste artigo apresenta-se um estudo inserido numa investigação mais ampla de
implementação de uma experiência de ensino em que se pretende desenvolver o
pensamento algébrico de alunos de uma turma do 4.º ano de escolaridade. O objectivo
deste artigo é analisar como a exploração de estratégias de cálculo a partir de
expressões numéricas particulares pode contribuir para a mobilização da capacidade
de generalização matemática e para a sua expressão em linguagem natural, e ainda
para a iniciação à simbolização. Este artigo baseia-se na concepção de pensamento
algébrico enquanto “processo em que os alunos generalizam ideias matemáticas a
partir de um conjunto de exemplos particulares, estabelecem essa generalização
através do discurso da argumentação e expressam-na gradualmente de uma forma
simbólica apropriada à sua idade” (Blanton & Kaput, 2005, p. 413), e centra-se na
importância do carácter potencialmente algébrico da aritmética (Carpenter, Levi,
Franke & Zeringue, 2005). Este estudo tem ainda como referência a concepção de
pensamento quase-variável defendida por Fujii (2003), cujo desenvolvimento se apoia
na exploração de expressões numéricas particulares para a construção da
generalização matemática. A recolha de dados incide sobre a realização de três
tarefas matemáticas em aula, tendo sido realizada a análise documental das resoluções escritas dos alunos e registado em vídeo os momentos de discussão
colectiva com a turma. Os resultados evidenciam que os alunos conseguem
generalizar relações numéricas, a partir da estrutura subjacente às estratégias de
cálculo propostas, expressando essa generalização em linguagem natural e iniciando
um percurso em direcção à linguagem simbólica. Este estudo mostra a importância de
explorar o carácter potencialmente algébrico da aritmética, desde os primeiros anos.FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologi