Este artigo tem por objectivo analisar o regresso de cientistas formados no estrangeiro a países
semi-periféricos, apresentando resultados de uma investigação desenvolvida em Portugal. São
apresentados não só dados quantitativos sobre os fluxos de retorno e as modalidades de
reintegração no sistema científico, como também informação de teor qualitativo, sustentada em
entrevistas, respeitante a motivações, trajectórias de carreira e impacto da mobilidade no
trabalho científico. Verificou-se que, ainda que o volume de retornos a Portugal seja
significativo e que a capacidade de reingresso no sistema científico seja expressiva, não está
ausente de dificuldades. São identificados dois tipos de investigadores regressados, a que
correspondem distintas situações de carreira e diferentes obstáculos à prossecução da
actividade científica. Por fim, exploram-se os efeitos positivos da mobilidade na prática
científica e no próprio desenvolvimento do sistema de I&D, assim como as barreiras à sua
plena concretização.This article aims to analyse why researchers trained abroad return to and how they reintegrate
in semi-peripheral countries, based on research carried out in Portugal. Quantitative data on
return flows and reintegration modalities is presented alongside qualitative information, based
on interviews, addressing motivations, career trajectories and the impact of mobility in scientific
work. It has been ascertained that, though the amount of returns is significant and the ability to
reintegrate in the scientific system is fairly common, difficulties do exist. Two types of returnee
researchers are identified, corresponding to different career situations and different hurdles in
pursuing scientific activities. Finally, the positive effects of mobility in scientific practice and in
the development of the R&D system are discussed, together with the barriers to its
comprehensive fulfilment