O termo empregabilidade tem vindo a impor-se como uma categoria universal de análise
do mercado de trabalho, como um referente hegemónico das políticas de emprego e,
mais recentemente, das políticas educativas. A sua introdução nos discursos educativos
oficiais corresponde a uma alteração no paradigma por que se têm orientado as políticas
sociais e inscreve-se numa lógica de individualização e responsabilização individual e na
tendência crescente para a privatização dos problemas sociais. Mas a empregabilidade legitima,
também, o reforço das fileiras profissionalizantes destinadas a todos e de medidas
específicas destinadas a alguns: aos jovens das classes populares, com trajectórias escolares
de insucesso e em risco de abandono escolar. Neste artigo, pretendemos demonstrar
que, em Portugal, a profissionalização do sistema educativo é o resultado de uma política
voluntarista do Estado que não encontra eco num tecido empresarial que continua
a apostar nos baixos custos da mão-de-obra como factor de competitividade ao mesmo
tempo que relega para um plano secundário a discussão do seu papel na (re)produção
social e na criação de formas “doces” de exclusão