Mário de Carvalho constitui um caso invulgar, no âmbito da literatura
contemporânea escrita em Português. A invulgaridade do caso resulta, desde
logo, da forma como este escritor vem construindo a sua obra, desde 1990,
data da publicação de Contos da Sétima Esfera: numa série já vasta mas não
caudalosa, coerência e inovação combinam‑se
num registo de notável simbiose.
Isto significa que, em regra, cada livro parece constituir a continuação de
caminhos antes trilhados; ao mesmo tempo, porém, cada novo volume não
deixa de ser portador de importantes (e por vezes inesperadas) evoluções,
quer no plano dos temas quer, sobretudo, no plano da forma