Trabalho final de mestrado integrado em Medicina àrea científica de Cardiologia, apresentado á Faculdade de Medicina da Universidade de CoimbraEstudos recentes demonstraram uma relação não consensual entre Índice de
Massa Corporal e mortalidade em populações que sofreram Síndromes Coronárias
Agudas.
O presente estudo teve como objectivo avaliar a associação do Índice de Massa
Corporal com o prognóstico intra-hospitalar e com o follow-up (18 meses) em doentes
com Síndromes Coronárias Agudas. Foi realizada uma análise retrospectiva de uma
base de dados com 1603 doentes consecutivos hospitalizados por Síndromes Coronárias
Agudas. A amostra foi dividida em três grupos, de acordo com o Índice de Massa
Corporal: A- 18,5-24,9kg/m2 (n=478) ; B- 25-30 kg/m2 (n=751) ; C- >30 kg/m2
(n=374).
Desta análise foi possível concluir que os doentes obesos eram
significativamente mais novos (p<0,001), do sexo masculino (p<0,001) e apresentavam
piores características basais, com maior incidência de hipertensão arterial (p<0,001),
dislipidémia (p<0,001), diabetes mellitus (p<0,001), bem como maior incidência de
história prévia e familiar de doença coronária (p<0,001). Foram igualmente mais
frequentemente tratados com clopidogrel (p<0,006), inibidores das glicoproteínas IIb-
IIIa (p<0,002) e antagonistas dos canais de cálcio (p<0,002). Os doentes dos grupos B e
C tiveram ainda uma duração de internamento superior (p<0,014). No entanto este
estudo demonstrou que os doentes com IMC>25 kg/m2 apresentaram uma prevalência
inferior de insuficiência cardiaca na alta (p<0,009). Em contrapartida, os doentes do
grupo A apresentaram uma maior incidência de complicações (p<0,042) e morte
(p<0,029) intra-hospitalares, comparativamente com os restantes grupos de doentes com
maior Índice de Massa Corporal. Não foram observadas diferenças entre os grupos em
relação ao tipo de Síndromes Coronárias Agudas, marcadores de necrose miocárdica e
tratamento intra-hospitalar, bem como em relação à morbilidade (p=0,053) ou
mortalidade (p=0,472) no follow-up médio de 18 meses.
A análise dos dados revelou ainda que os principais preditores de morte nesta
população foram o sexo feminino, baixa fracção de ejecção ventricular esquerda e
elevada classe de Killip.
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Em conclusão, este estudo demonstrou que existe uma elevada prevalência de
excesso de peso e obesidade na população estudada e que apesar de estas condições
terem estado associadas a um melhor prognóstico intra-hospitalar, este facto pode estar
associado a outros factores tais como diferenças no sexo, fracção de ejecção ventricular
esquerda e classe de Killip, sendo por isso necessários outros estudos para obter
conclusões mais definitivas. No que diz respeito ao follow-up não foram observadas
diferenças significativas na morbilidade e mortalidade entre os diferentes gruposRecent studies have shown that there is a lack of consensus in the relation
between Body Mass Index and mortality in patients who had suffered Acute Coronary
Syndromes.
The goal of this study was to evaluate the association between Body Mass Index
and the in-hospital mortality and follow-up (18 months) in patients with Acute
Coronary Syndromes. A retrospective analysis of a database of 1603 consecutive
patients hospitalised due to Acute Coronary Syndromes was made for this purpose. The
population was divided in 3 groups distributed by Body Mass Index: A- 18,5-24,9kg/m2
(n=478) ; B- 25-30 kg/m2 (n=751) ; C- >30 kg/m2 (n=374).
We observed from the study results that the obese patients are meaningfully
younger (p<0,001), men (p<0,002) and had worse baseline characteristics: more
incidence of hypertension (p<0,001), hyperlipidemia (p<0,001), diabetes mellitus
(p<0,001) as well as more incidence of previous personal and family history of coronary
disease. They were also more frequently treated with clopidogrel (p<0.006),
glycoprotein IIb-IIIa inhibitors and calcium channel blockers (p<0,002). The patients
from groups B and C also had longer stays in hospital (p<0,014). However this study
has shown that latter groups of patients had a lesser prevalence of congestive heart
failure at discharge (p<0,009). On the other hand patients from group A had more
complications (p<0,042) and death (p<0,029) while staying in hospital comparing to the
other groups of patients with higher BMI. We did not observe differences between the
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groups in terms of the type of Acute Coronary Syndrome, the level of cardiac markers
and the in-hospital treatment as well as in the morbidity (p=0.053) or mortality
(p=0,472) in the 18 months follow-up.
The data analysis has shown that the major death predictors in this population
were gender (in this case, female), patients with low left ventricular ejection fraction
and the presence of high Killip class.
In conclusion, the study demonstrated an high prevalence of excess of weight in
the studied population and that besides this condition which has been associated with a
better in-hospital prognosis, this fact might also be associated with other factors such as
gender differences, left ventricular ejection fraction and Killip class. Nevertheless, more
studies will be required to get more evident conclusions. We did not observed
differences in mortality and morbidity between the different groups concerning the
follow-u