Monografia realizada no âmbito da unidade de Estágio Curricular do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, apresentada à Faculdade de Farmácia da Universidade de CoimbraO Linfoma Primário do Mediastino de Grandes Células B (LPMGC) é uma doença
hematológica rara que afeta com mais incidência mulheres jovens. Segundo a Organização
Mundial de Saúde (OMS), é classificado como uma variante do Linfoma Difuso de Grandes
Células B (LDGC) com características clínicas, patológicas e genéticas únicas. O LPMCG
caracteriza-se por um comportamento agressivo e apresenta-se com uma massa volumosa
no mediastino antero-superior com tendência para invadir tecidos adjacentes da cavidade
torácica, resultando, muitas vezes, em síndrome da veia cava superior e derrame pleural ou
pericárdico. A amplificação do locus REL no cromossoma 2p e do locus JAK2 no
cromossoma 9p é a principal alteração estrutural da doença. A Tomografia de Emissão de
Positrões com Tomografia Computorizada (PET-TC) é um método de imagiologia utilizado
no diagnóstico do LPMGC e tem bastante utilidade na avaliação de massas residuais. No
entanto, o seu papel como fator preditivo tem sido alvo de discussão. O tratamento ideal do
LPMGC ainda não foi estabelecido, porém, a combinação do rituximab com a quimioterapia
CHOP (doxorubicina, vincristina, ciclofosfamida e prednisona) seguida de radioterapia de
consolidação (RC) está associada a um melhor prognóstico em doentes com LPMGC.
Contudo, o papel da RC ainda permanece controverso. Protocolos de dose ajustada de
etoposido, doxorubicina, vincristina, ciclofosfamida e prednisona com rituximab (DAECHOP-
R) sem RC têm mostrado resultados promissores. Doentes com recidiva ou doença
refratária são normalmente tratados com quimioterapia (QT) de altas doses seguida de
transplante autólogo de células hematopoiéticas (TA). No entanto, é necessário clarificar o
papel do TA de modo a estabelecer uma estratégia terapêutica ótima no tratamento no
LPMGC. Agentes que interferem nas vias de sinalização JAK-STAT, NK-kB e PD-1, células T
modificadas e anticorpos monoclonais específicos para a proteína CD30 destacam-se como
terapêuticas promissoras para o tratamento do LPMGC. O farmacêutico clínico assume um
papel fundamental no tratamento do LPMGC, promovendo o uso racional dos
medicamentos e a adesão à terapêutica.Primary mediastinal B-cell lymphoma (LPMGC) is a rare blood disease that usually affects
young women. According to the World Health Organization’s (WHO) classification, LPMGC
is a distinct subtype of diffuse large B-cell lymphoma with unique clinical, pathological and
genetic features. LPMCG is characterized by aggressive behavior and it presents with a bulky
mass usually limited to the anterior-upper mediastinum that tends to infiltrate adjacent
thoracic structures, frequently causing upper vena cava syndrome and pleural or pericardial
effusions. Amplification of the REL locus on chromosome 2p and amplification of the JAK2
locus on chromosome 9p represent the main disease-specific structural alteration. The
Positron Emission Tomography–Computed Tomography (PET-TC) is an imaging technique
used in the diagnosis of LPMGC and is very useful for evaluating residual masses. However,
its predictive use has been a topic of discussion. The optimal chemotherapy for LPMGC has
not been established yet, but consolidation radiation (RC) treatment after undergoing RCHOP
(prednisone, vincristine, cyclophosphamide with doxorubicin and rituximab)
chemotherapy is associated with good prognosis in LPMGC patients. However, the role of
RC remains controversial. It has been demonstrated that treatment with dose-adjusted
etoposide, doxorubicin, vincristine, cyclophosphamide with prednisone, and rituximab (DAECHOP-
R) without RC provides promising results. Patients with relapsed or refractory
LPMGC are often treated with high-dose therapy followed by autologous stem cell
transplantation (TA). To establish the optimal therapeutic strategy for treating patients is
necessary to clarify the role of TA. Agents such as JAK-STAT pathway inhibitors, nuclear
factor k-B pathway inhibitors, neutralizing antibodies to PD1, conjugated anti-CD30
antibodies or genetically modified T cells are promising therapeutic targets in LPMGC.
Clinical pharmacists have a critical role in LPMGC treatment, improving rational use of drugs
and promoting adherence to treatment