Trabalho final de mestrado integrado em Medicina área cientifica de Neurologia, apresentado á Faculdade de Medicina da Universidade de CoimbraIntrodução: O Defeito Cognitivo Ligeiro é uma entidade de transição entre o envelhecimento
normal e a Doença de Alzheimer. A capacidade de prever quais os doentes que convertem para
demência tem sido uma das áreas de interesse de investigação. Vários indicadores de risco
foram referenciados na literatura, nomeadamente a idade avançada, a gravidade do defeito de
memória, a atrofia do hipocampo e/ou atrofia cortical e a presença do alelo epsilon 4 da
Apolipoproteína E. No entanto, alguns autores consideram que o conceito de “conversão”,
entendido com uma transição abrupta e qualitativa de classificação é subjectivo e
eventualmente inadequado para uma doença neurodegenerativa. Uma nova proposta será
verificar se existe um perfil de “progressão” versus “não progressão” como indicador de
evolução para Doença de Alzheimer.
Objectivos: Avaliar o perfil de declínio cognitivo ao longo do tempo em doentes com o
diagnóstico de Defeito Cognitivo Ligeiro estudados prospectivamente no Serviço de
Neurologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
Metodologia: Os doentes com DCL efectuam avaliações de controlo cada 6 ou 12 meses com
um protocolo estandardizado que inclui a Subjective Memory Complaints, as escalas de
classificação global Clinical Demencia Rating e Blessed Dementia Scale; o Minimental-
State-Examination e a Alzheimer Disease Assessment Scale para avaliação cognitiva,
Disability Assessment for Dementia Scale para avaliação funcional, e Escalas
Psicopatológicas como o Neuropsychiatric Inventory, a Geriatric Depression Scale e
a Hamilton Anxiety Scale. Os critérios de diagnóstico do grupo de estudo e de classificação
de demência são os habitualmente referenciados na literatura. Os dados foram analisados com
recurso ao Statistical Package for the Social Sciences.
Resultados: Foram estudados 138 indivíduos, entre 2001 e 2009, dos quais 40 (29 %)
desenvolveram Doença de Alzheimer num período médio de 6,3 anos. Os dois grupos não
apresentaram diferenças estatisticamente significativas no que se refere à idade de início do
defeito de memória, história familiar positiva, escalas de avaliação psicológica, funcional,
global e de queixas subjectivas de memória. Apenas as escalas cognitivas e o perfil genético
diferenciaram os grupos. No estudo longitudinal, foi evidenciado um perfil de progressão nos
instrumentos da vertente cognitiva e global.
Conclusões: A confirmação objectiva da existência de um declínio gradual (perfil de
progressão) no grupo que desenvolve demência, coaduna-se com a história natural de uma
situação neurodegenerativa. A valorização deste perfil de progressão versus conversão poderá
ser especialmente útil em ensaios clínicos com fármacos susceptíveis de modificar a história
natural da doença.Introduction: The Mild Cognitive Impairment is a transitional entity between normal aging
and Alzheimer's disease. The ability to predict which patients convert to dementia has been
one of the areas of research interest. Several risk indicators were reported in the literature,
including advanced age, severity of memory defect, hippocampal atrophy and/or cortical
atrophy and the presence of Apolipoprotein E epsilon 4 allele. However, some authors
consider that the term "conversion", understood as an abrupt transition and qualitative
classification is subjective and possibly unsuitable for a neurodegenerative disease. A new
proposal will check if there is a “progression’s profile” versus "no progression" as an
indicator of evolution to Alzheimer disease.
Objectives: To evaluate the profile of cognitive decline over time in patients diagnosed
with Mild Cognitive Impairment prospectively studied in the Department of Neurology of
Hospitais da Universidade de Coimbra.
Methods and materials: Patients with MCI perform control assessments every 6 to 12
months with a standardized protocol that includes Subjective Memory Complaints, global
rating scales Clinical Dementia Rating and Blessed Dementia Scale; the Minimental-State
Examination and the Alzheimer Disease Assessment Scale cognitive assessment,
Disability Assessment for Dementia Scale for functional assessment, and Psychopathological
scales like the Neuropsychiatric Inventory, Geriatric Depression Scale and Hamilton Anxiety
Scale. The diagnostic criteria of the study group and classification of dementia are
usually referred to in the literature. Data were analyzed with the Statistical Package for the
Social Sciences.
Results: 138 individuals were studied between 2001 and 2009, of which 40 (29%) developed
Alzheimer's disease at a mean period of 6, 3 years. The two groups showed no statistically
significant differences with regard to age of onset of memory defect, positive family
history, psychological, functional, and global assessment scales and subjective
memory complaints. Only the cognitive scales and the genetic profile differences groups. In
the longitudinal study, a progression’s profile was shown in the instruments of cognitive
and global dimension.
Conclusions: The objective confirmation of the existence of a gradual decline (progression’s
profile) in the group that developed dementia is consistent with the natural history of a
neurodegenerative situation. The value of this progression’s profile versus conversion could
be particularly useful in clinical trials of drugs capable of altering the natural history
of disease