Trabalho final de mestrado integrado em Medicina área cientifica de Medicina Interna, apresentada á Faculdade de Medicina da Universidade de CoimbraIntrodução
A menopausa é um processo fisiológico composto por modificações hormonais, sendo
cada vez mais frequente devido ao aumento da esperança média de vida. Esta condição leva a
alterações da composição corporal, com aumento da prevalência da DM2, DCV e
osteoporose, sendo estas patologias com grande impacto na morbilidade e mortalidade. A
THS surgiu com intuito de aliviar os sintomas e a minimizar as consequências que a
menopausa acarreta, contudo a sua prescrição tem diminuído.
Objetivos
Os objetivos deste trabalho consistiram em caracterizar as mulheres no período pósmenopausa
no que diz respeito à prevalência da DM2, de complicações
cardiocerebrovasculares e outras patologias, nomeadamente a osteoporose. Tentando avaliar
se existiriam diferenças entre aquelas que faziam ou não THS.
Metodologia
Foram selecionadas mulheres na pós-menopausa com idade inferior ou igual a 65
anos, registando-se dados presentes nos processos clínicos de consultas de um trimestre.
Procedeu-se à divisão em 3 grupos: não diabéticas e diabéticas, com diagnóstico de diabetes
antes ou após a menopausa e se realizaram THS ou não.
Resultados
As mulheres no período de pós-menopausa apresentavam alterações em diversos
parâmetros como IMC (29,42 kg/m2), HbA1c (7,2%), colesterol total (202,3) e LDL (119,6).
No total da amostra a prevalência de DM2 foi de 17,8%, sendo que estas mulheres
apresentavam valores de IMC (p<0,001), TAS (p<0,001), glicémia (p<0,001), HbA1c
(p=0,020) e triglicerídeos (p=0,025) superiores e HDL inferior (p00,018) em comparação com
as não diabéticas, para além da maior prevalência de HTA. Da amostra, 21,1% das mulheres
realizaram THS, sendo que estas apresentavam um menor tempo de evolução de DM2
(p=0,039), valores mais baixos de triglicerídeos (p=0,042), colesterol total (p=0,010) e TAS
(p=0,012), bem como menor prevalência de HTA (p=0,017). Os preditores para osteoporose
foram a DM2 (OR: 11,56), diabetes antes/após menopausa (OR: 21,78 e 9,11), idade da
menarca > 13 anos (OR: 4,76), idade da menopausa ≤ 50 anos (OR: 4,65) e o IMC ≥ 25
kg/m2 (OR: 0,17).
Discussão e Conclusão
A menopausa está associada a muitas patologias que acarretam as mais diversas
consequências. Verificou-se que as mulheres pós-menopáusicas apresentavam uma
prevalência de DM2 de 17,8%, justificado pelo facto de a incidência aumentar em idades
superiores a 50 anos e na menopausa. Constatou-se que as diabéticas tinham mais
complicações. As mulheres que tomaram THS apresentavam menor incidência de DM2, além
de menor tempo de evolução da doença. A administração de THS esteve associada a menos
complicações, contudo verificou-se uma maior prevalência de microcalcificações mamárias e
AVC’s. A osteoporose teve como preditor a DM2, contudo a relação entre a osteoporose e a
DM2 é complexa, sendo um tema atualmente controverso. Deste modo é importante realçar
que o aumento da esperança média de vida deve ser acompanhado com o aumento da
qualidade de vida, para isso é necessário um maior conhecimento deste grupo específico.Background
Menopause is a physiological process consisting of hormonal changes, becoming more
common due to increased life expectancy. This condition leads to changes in body
composition, with increased prevalence of type 2 diabetes mellitus (T2DM), cardiocerebrovascular
disease and osteoporosis, which are diseases with a major impact on
morbidity and mortality. Hormone replacement therapy (HRT) emerged aiming to relieve
symptoms and minimize the consequences that menopause brings, but the prescription has
decreased.
Objetives
The objectives of this study were to characterize women in the postmenopausal period
with respect to prevalence of T2DM, cardio-cerebrovascular complications and other
pathologies, like osteoporosis. Trying to assess whether there are differences between those
who used HRT or not.
Methods
Women at the age less or equal 65 years were selected, registering data on its clinical
processes for one trimester. These women were divided into three groups: non-diabetic and
diabetic, diagnosed with diabetes before or after the menopause and HRT performed or not.
Results
Women in post-menopausal period showed changes in various parameters such as
body mass index (BMI) (29.42 kg/m2), HbA1c (7.2%), total cholesterol (202.3) and LDL
(119.6). In the total sample the prevalence of T2DM was 17.8%, and these women had BMI
(p <0.001), SBP (p <0.001), glucose (p <0.001), HbA1c (p = 0.020) and triglycerides (p =
0.025) values upper and lower HDL (P00, 018) compared with the non-diabetic, in addition to
a greater prevalence of hypertension. In target population, 21.1% of women used HRT, these
had a shorter development of T2DM (p = 0.039), lower values of triglycerides (p = 0.042),
total cholesterol (p = 0.010) and systolic blood pressure (SBP) (p = 0.012) and a lower
prevalence of hypertension (p = 0.017). Predictors for osteoporosis were T2DM (OR: 11.56),
diabetes before/after menopause (OR: 21.78 and 9.11), age at menarche > 13 years (OR:
4.76), age at menopause ≤ 50 years (OR: 4.65) and BMI ≥ 25 kg/m2 (OR: 0.17).
Discussion and Conclusion
Menopause is associated with many conditions that cause the most varied effects.
Women in post-menopausal period showed a prevalence of T2DM of 17,8%, justified by the
fact that the incidence increases in ages over 50 years and menopause. It was observed that
diabetics had more complications. Women treated by HRT had a lower incidence of T2DM
and shorter time to disease progression. The administration of HRT was associated with fewer
complications, however there was a higher prevalence of breast microcalcifications and
strokes. Osteoporosis has as a predictor T2DM, however the relationship between
osteoporosis and DM2 is complex, being currently a controversial topic. Thus it is important
that the increase in life expectancy is accompanied with increased quality of life, this requires
a better understanding of this group