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A importância dos mapas para a compreensão da Tectónica de Placas

Abstract

O objetivo deste trabalho é apresentar a importância dos mapas na divulgação da Tectónica de Placas. A sua adequação a exposições de museus de História Natural e Centros de Ciência que divulgam Tectónica de Placas não é tarefa simples, pois além de enfrentar problemas como falta de financiamento, enfrenta ainda problemas específicos, derivados quer das escalas dimensional e temporal dos fenómenos e processos, quer, pelo menos em teoria, da maior atratividade de outras disciplinas. Em particular, a compreensão dos processos associados à Tectónica de Placas, não é uma tarefa simples pois implica: • A capacidade de “visualizar” processos que decorrem durante centenas de milhões de anos - o que torna impossível não só a observação direta dos mesmos, mas também a própria perceção do tempo envolvido; • A coexistência em cada momento da História da Terra de vários ciclos de abertura e fecho de oceanos (i.e., os chamados ciclos de Wilson) independentes (ou pelo menos com relações pouco evidentes entre si). Com efeito, tomando como exemplo a situação atual encontramos, por exemplo, um ciclo tectónico associado à evolução do Oceano Pacífico, outro à evolução do Atlântico, outro ainda à evolução do Índico e do rifte Leste Africano, todos eles em diferentes etapas de desenvolvimento. Apesar da dificuldade, compreender a Tectónica de Placas é fundamental para perceber o funcionamento do nosso planeta, devido a sua ligação a processos cruciais, como por exemplo a génese dos recursos geológicos, à interação com os ciclos climáticos ou à própria evolução biológica. O reconhecimento desta importância está bem patente no destaque que a Tectónica de Placas ocupa, tanto nos curricula do ensino pré-Universitário como nos do Ensino Superior na generalidade dos países. Contudo, devido a sua complexidade, frequentemente a divulgação junto do grande público, quando ocorre, acaba por transmitir apenas os processos gerais, não realçando a sua integração com outros processos fundamentais para a dinâmica da Terra, em particular a sua influência na biodiversidade do planeta e também na manutenção da própria sociedade humana, com crescentes necessidades no uso dos recursos naturais. Por oportuno, uma ferramenta extremamente útil na divulgação e compreensão da Tectónica de Placas, são os mapas. Desde os primeiros relatos científicos de que os continentes não ocuparam sempre a sua posição atual, os mapas apresentam-se como forte argumento nas Geociências e na História Natural. Exemplo disso foi o trabalho do cartógrafo Abraham Ortellius (1527-1598), que é considerado o primeiro destes relatos. A partir deste momento na história, muitos outros cientistas vieram a utilizar os mapas para apresentar as suas teorias e corroborar teorias já iniciadas, como são os casos de Charles Darwin (1809-1882) que, utilizando mapas paleogeográficos e as suas observações de fósseis e de espécies viventes, propôs a Teoria da Evolução, de Alfred Wegener (1880-1930) e a Teoria da Deriva Continental e de Tuzo Wilson (1908-1993) com a Nova Tectónica de Placas. Com efeito, fica patente que os mapas são fundamentais para a compreensão das mudanças continentais, explicadas pela Tectónica de Placas, pois constituem-se como um forte elo entre o tempo e o espaço, reduzidos a escalas percetíveis aos olhos dos homens. Desta forma, um maior uso deste recurso cartográfico para a divulgação da Tectónica de Placas torna-se um importante instrumento de atratividade de público e de consolidação de conhecimento. Foi feito um estudo por estes autores, a nível de doutoramento, entre os anos de 2013 a 2016, em 14 museus de História Natural e em Centros de Ciência na Península Ibérica e constatou-se que somente em quatro destes locais se fala sobre Tectónica de Placas e apenas em um se utilizam mapas para a divulgação da mudança continental ao longo do tempo geológico. Sendo assim, foi possível através destas visitas identificar a pequena representatividade de exposições que abordam a temática da Tectónica de Placas, além da falta de utilização de mapas para se tratar o assunto. Torna-se urgente uma reformulação dos assuntos apresentados na divulgação científica do ensino não-formal, pois há necessidade inerente de se conservar os recursos naturais (geológicos e biológicos), dependentes do entendimento de sua génese e distribuição tratados pela Tectónica de Placas

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