Por meio da observação e da escuta atenta é possível que os professores reconheçam as características do seu grupo, identifiquem cada criança em particular, no entanto, isso não é suficiente. Para alargar e contribuir efetivamente com o processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, o professor precisa assumir o seu lugar como adulto capaz de organizar intencionalmente as ações, ampliar os repertórios das crianças e possibilitar o seu acesso ao patrimônio cultural da humanidade.
Nessa direção, o planejamento pedagógico é essencial no delinear das ações, na formulação de perguntas e na organização das experiências educativas pelo professor e também junto ao seu grupo de crianças. Para além do planejamento, ensinar às crianças a organizar o seu trabalho, documentar sua experiência, avaliar seu próprio processo, é também parte importante do trabalho educativo. Cabe ao professor, ensinar a criança a documentar, a registrar suas vivências, a deixar suas marcas de aprendizagem ao longo do caminho e, por meio desses registros o professor terá condições de reorganizar o seu próprio trabalho, verificar o que precisa ser alterado, em que aspectos suas ações precisam avançar para promover ao máximo o desenvolvimento das crianças. E as crianças terão condições de compreender as suas produções, diferentes tentativas, o que faziam e fazem agora.
Neste contexto, a escrita que apresentamos tem por objetivo refletir sobre a avaliação da aprendizagem, não no sentido de classificar, mas para conhecer as crianças e os seus processos de aprendizagem, e ainda, com a intenção de apresentar algumas maneiras de documentação e sua importância para o processo educativo, bem como as possibilidades de comunicar aos outros o que fazem e vivem na instituição.
Situaremos brevemente a avaliação na Educação Infantil no cenário brasileiro e, discutiremos a seguir algumas possibilidades de documentação pedagógica e a sua dimensão estética