Por todo o mundo, viajar para visitar familiares e amigos (VFR, Visiting Friends and Relatives) constitui um fenómeno social total que envolve anualmente milhares de pessoas, quilómetros e euros. Portugal, território de territórios aquém e além-fronteiras, não constitui excepção. Por um lado, no espaço geográfico do país, migrações internas obrigam a mobilidades mais ou menos frequentes e ou pronunciadas entre norte e sul, interior e litoral ou continente e ilhas. Por outro lado, e à escala global, a forte tradição de e/imigração, associada a uma Diáspora numerosa e dispersa, adensa, complexifica e alarga o fenómeno para domínios de reflexão e acção diversa, como seja o das famílias transnacionais, o turismo genealógico ou de raízes. Este texto explora pontes de diálogo e cruzamento entre os estudos da família, do turismo e do lazer, tendo em vista a compreensão mais aprofundada da experiência por detrás da visita a familiares e amigos. Metodologicamente, apoia-se na apresentação e análise de estatísticas oficiais, as quais são posteriormente interpeladas a partir de recolha empírica realizada pela autora. No final, espera-se que esta reflexão possa servir para estimular o debate em torno das mobilidades suscitadas pela visita a familiares e amigos e, ao mesmo tempo, contribuir para dar mais visibilidade a um fenómeno frequentemente sub-representado na literatura e investigação sociológicas em geral, e no território português em particular