Nesta comunicação pretendo analisar a deportação de cabo-verdianos no contexto da emigração para os Estados Unidos da América, com um duplo objectivo: por um lado, realçar os factores que desencadeiam as deportações, para tal faço uma breve caracterização desta comunidade e do enquadramento jurídico-político norte-americano em matéria de deportação, e por outro lado, abordar o processo de (re)integração, designadamente através das medidas previstas e implementadas em Cabo Verde para dar resposta a este problema social.
Assim, proponho-me a abordar a representação dos deportados em Cabo Verde, com base em algumas entrevistas realizadas e em matérias sobre o tema produzidas nos dois principais semanários nacionais (A Semana e Expresso das Ilhas). A questão central que coloco é a seguinte: em que medida a representação social do deportado contribui para a perpetuação – ou não – do binómio deportação-violência? Por outras palavras, a representação dos deportados reproduz/mantém a abordagem de estigmatização ou a desconstrói, contribuindo para facilitar o processo de (re)integração quando “voltam à pátria”