A relação da depressão e doença física crónica nos portugueses e utilização de cuidados de saúde: análise do painel de famílias ECOS

Abstract

RESUMO - Introdução: Estudos internacionais mostram elevada comorbilidade depressão/doença física crónica e maior utilização de cuidados de saúde nos doentes com comorbilidade. A literatura nacional é escassa. Este trabalho teve como objetivos analisar a existência de associação entre depressão e doença física crónica nos portugueses com 18 anos ou mais, em 2020, e entre esta comorbilidade e utilização de cuidados de saúde. Métodos: Realizou-se um estudo transversal, recorrendo-se ao painel Em Casa Observamos Saúde (ECOS), com exposição “doença física crónica” e outcomes “depressão” e “utilização de cuidados de saúde”. A amostra foi descrita de acordo com características sociodemográficas. Foram ajustados modelos de regressão logística e multinomial entre presença/gravidade de depressão e doença física crónica em geral/tipo de doença e entre esta comorbilidade e utilização de cuidados de saúde. Estimaram-se Odds ratio (OR) ajustados para fatores de confundimento e intervalos de confiança a 95% (IC95%) respetivos. Resultados: Foram incluídos 1068 indivíduos. Na população, 8,9% tinha depressão e 72,1% doença física crónica. Não se verificou relação estatisticamente significativa entre doença física crónica em geral e depressão [OR=1,68 (IC95%:0,55;5,15)], mas verificou-se entre alergia [OR=2,08 (IC95%:1,02;4,25)] e DPCO [OR=3,04 (IC95%:1,21;7,61)] e depressão. O risco de depressão foi menor para duas doenças (vs. três ou mais, OR=0,32 [0,15;0,68]). Não se verificou relação entre comorbilidade de doença física e depressão com utilização de cuidados de saúde. Conclusão: Este estudo sugere uma relação entre DPCO e alergia e depressão em Portugal. Não foi identificada relação entre a comorbilidade estudada e utilização de cuidados de saúde.ABSTRACT - Background: International studies reveal a high chronic physical disease/depression comorbidity and a higher healthcare use in patients with this comorbidity. National literature is sparse. This study aimed to verify if there is a comorbidity between chronic physical disease and depression in the Portuguese population 18 years or older in 2020 and if this comorbidity is associated with higher healthcare use. Methods: A cross-sectional study, using data from Em Casa Observamos Saúde (ECOS), with “chronic physical disease” as exposure and “depression” and “healthcare use” as outcomes was undertook. The sample was characterized according to sociodemographic characteristics. Adjusted logistic and multinomial regression analysis between presence/severity of depression and chronic physical disease/type and between this comorbidity and healthcare use were carried out. Odds ratio and 95% confidence intervals (CI 95%) adjusted for possible confounders were calculated for each analysis. Results: 1068 individuals were included. In the population, 8.9% had depression and 72.1% had chronic physical disease. There was no statistically significant relation between general physical disease and depression (OR=1.68 [IC95%:0.55;5.15]), but there was between allergy (OR=2.08 [IC95%:1.02;4.25]) and COPD (OR=3.04 [IC95%:1.21;7.61]). The risk of depression was smaller in those with two physical diseases (vs. three or more, OR=0.32 [0.15;0.68]). A relation between chronic physical disease and depression with healthcare use was not observed. Conclusions: This study suggests a relationship between COPD and allergy and depression in the Portuguese population. There was no relation between the studied comorbidity and healthcare use

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