Os rebocos de terra são reconhecidos a nível internacional como produtos eco-eficientes
fundamentalmente por apresentarem pouca energia incorporada no seu ciclo de vida, mas também devido
a contribuírem de forma significativa para a perceção de conforto dos ocupantes dos edifícios, em virtude
da sua estética e da elevada capacidade para o equilíbrio da humidade relativa no interior dos
compartimentos onde são aplicados. Prova disso é o facto da Alemanha ter publicado, em 2013, uma
norma DIN que determina requisitos e métodos de ensaio específicos para rebocos de argamassas de
terra, sem adição de estabilizadores químicos.
A presente dissertação tem como objetivo a análise de um conjunto alargado de argamassas de terra
para a aplicação em rebocos interiores, avaliando o seu comportamento perante a ação da água na forma
líquida e em vapor, mas também a influência que os acabamentos de superfície podem ter nas suas
propriedades higroscópicas. As argamassas estudadas foram formuladas maioritariamente com uma argila
ilítica, uma areia e ainda com adições de diferentes fibras, ligantes e adjuvantes para a estabilização das
resistências mecânicas, para o controlo da retração e para o aumento da resistência à água.
Os resultados obtidos comprovaram a fragilidade que as argamassas de terra genericamente
apresentam em contacto com a água líquida, uma vez que, contrariamente às argamassas de ligantes
correntes, não ocorre qualquer reação. No entanto, verificou-se que a adição de alguns adjuvantes pode
melhorar substancialmente o comportamento das argamassas em contacto com água líquida. Por outro
lado, comprovou-se que a utilização de acabamentos de superfície pode permitir que as argamassas
resistam à erosão da água