UID/CCI/04667/2016Este artigo pretende articular os conceitos de fronteira e de intermedialidade atravessados pelo de narrativa. A intermedialidade, enquanto área de fronteira artística, será um lugar singular para performar (pensar e exercitar) a problematização de exílios e das migrações no âmbito do teatro. A sobreposição imperfeita de fronteira geopolítica e de fronteira artística permitirá renovar o olhar sobre as narrativas de des/territorialização. Deste modo, começamos por refletir sobre as fronteiras físicas e a sua desmaterialização em fronteiras concetuais. Avançando para o teatro do real, como dramaturgia entre o factual e a fabricação estética, sugere-se que esse lugar do meio, como uma fronteira permeável, se dá através da mediação, seja narrativa ou tecnológica, e que, por consequência, dará lugar à remediação. De modo a ter uma base de trabalho prático quanto às dramaturgias contemporâneas, esboçamos uma análise do espetáculo Moving People de Christiane Jatahy que convoca questões de intermedialidade, ficção e cena expandida, e contrastamos com o espetáculo Sanctuary de Brett Bailey. Ambos estão ancorados na condição de refugiado que obriga à negociação de novos regimes de visibilidade-invisibilidade, virtualidade-realidade não como polarizações mas enquanto diálogo, onde também os limiares se esbatem. Em suma, pretendemos propor que a intermedialidade oferece uma forma oblíqua de acesso às narrativas do real em que a simultaneidade implica a perda da incompatibilidade entre oposições ontológicas devido aos processos de hibridização e de remediação.publishersversionpublishe