Desigualdades no acesso aos cuidados de saúde: a associação com a multimorbilidade

Abstract

RESUMO - Introdução: A prevalência de multimorbilidade (MM) tem vindo a aumentar em todo o Mundo. Por terem maiores necessidades em saúde, as pessoas que vivem com MM apresentam maior risco de enfrentar barreiras no acesso aos cuidados de saúde. O acesso aos cuidados de saúde pode ser avaliado através do auto-reporte de Necessidades de Cuidados de Saúde não Satisfeitas (NCSNS). Com este trabalho pretende-se compreender se as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde são distintas em função da presença ou ausência de MM. Métodos: Recorrendo à base de dados do Survey of Health Ageing and Retirement in Europe (dados 2015) foram analisados os dados para uma amostra de 1661 indivíduos com 50 ou mais anos de idade residentes em Portugal. O estudo das prevalências de NCSNS e a relação entre as principais características socioeconómicas e demográficas e as NCSNS foi efetuado através do teste de qui-quadrado de Pearson e da Regressão Logística univariada e multivariada, estratificando-se a amostra entre pessoas com MM e sem MM. Resultados: As pessoas com MM apresentaram uma prevalência significativamente maior de NCSNS do que as pessoas sem MM. Quando se ajustaram as características sociodemográficas, na presença de MM, verificou-se que ser mulher ou ter um rendimento baixo aumentam em 1,6 ou 2 vezes a probabilidade de apresentar NCSNS, respetivamente. Conclusão: As desigualdades no acesso aos cuidados de saúde são mais evidentes nas pessoas com MM. No desenho de novas soluções políticas que dêem melhor resposta às necessidades em saúde das pessoas com MM é essencial considerar os dados deste estudo com vista à redução da iniquidade em saúde.ABSTRACT - Introduction: The prevalence of multimorbidity (MM) is increasing worldwide. People living with MM have more health needs and are at greater risk of facing barriers to the access of health care. Access to health care can be assessed through self-reporting of Unmet Health Care Needs (UHCN). This study aims to understand if the inequalities on the access to health care differ according to the presence or absence of MM. Methods: Using the data from the European Health and Retirement Aging Survey (data from 2015), a sample of 1661 people aged 50 year old and over and living in Portugal was analysed. The study of the prevalence of UHCN and the relationship between the main socioeconomic and demographic characteristics and UHCN was performed through Pearson's Chi-Square Test and univariate and multivariate Logistic Regression, stratifying the analysis according to the presence or absence of MM. Results: People with MM had a higher prevalence of UHCN than people without MM. When adjusting for sociodemographic characteristics, in the presence of MM, being female or having low income increased by 1.6 or 2 times the probability of having UHCN, respectively. Conclusion: Inequalities in access to health care are more present in people with MM. In order to design new policy solutions that better suits the needs of MM, it’s important to consider the results shown in this study, to build solution that reduce the health and social inequities

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