As trilobites Calymenina do Devónico de Portugal são conhecidas desde o estudo pioneiro de Delgado
(1908), ainda que à data muitas destas tenham sido atribuídas ao Silúrico terminal. Contudo, o único
estudo sistemático que enfocou a totalidade das associações devónicas foi realizado por Rodríguez-
Mellado & Thadeu (1947), carecendo de revisão. As Calymenina devónicas portuguesas foram
reconhecidas até ao momento apenas na Zona Centro-Ibérica, nas sequências estratigráficas de três
estruturas geológicas: Anticlinal de Valongo, Sinclinal de Amêndoa-Carvoeiro e Sinclinal de
Portalegre.
Este trabalho tem como objetivo principal a revisão das trilobites devónicas da subordem Calymenina,
com base nas coleções existentes nos museus públicos portugueses (Museu Décio Thadeu do IST,
Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto e Museu Geológico de Portugal do
LNEG). As coleções foram analisadas para selecionar os espécimes de Calymenina, sendo
inventariadas e estudadas ao detalhe.
Foram observados cerca de 300 espécimes, sendo identificadas 10 espécies, das quais 4 em
nomenclatura aberta. Foram identificados um novo género, Carringtonotus gen. nov., e duas novas
espécies, Burmeisterella hexaspinosa sp. nov. e Homalonotus mamedensis sp. nov. A associação de
Calymenina do Devónico de Portugal está exclusivamente representada por membros da subfamília
Homalonotinae, sendo que as 10 espécies identificadas foram incluídas nos géneros Burmeisterella,
Carringtonotus gen. nov., Trimerus e Wenndorfia. Representantes de todos os taxa foram descritos ao
detalhe e figurados. Do ponto de vista bioestratigráfico, as ocorrências portuguesas são compatíveis
com a distribuição bioestratigráfica conhecida para os géneros representados, exceto a de
Homalonotus, anteriormente conhecido apenas no Silúrico, sendo que o registo português estende a
sua distribuição até ao Devónico Inferior.
É apresentada uma tentativa de relocalização das jazidas históricas através da sobreposição dos mapas
geológicos com o Google Earth. Outra metodologia apresentada é a difração de raios-x em amostras
provenientes de duas jazidas, o que permitiu um conhecimento de maior detalhe da composição
mineralógica de cada uma