A catarata é a principal causa de cegueira reversível em todo o mundo e pode ser
eficazmente tratada através da cirurgia de catarata. Atualmente existem duas técnicas
cirúrgicas de tratamento - a facoemulsificação tradicional e a FLACS (cirurgia de catarata assistida por laser de femtosegundo), sendo esta última uma promissora substituta da técnica tradicional. Como a técnica de FLACS foi introduzida recentemente, é pertinente o estudo das alterações provocadas na córnea, aquando da cirurgia de catarata, por este novo procedimento cirúrgico, bem como a comparação dos resultados com a técnica de facoemulsificação, com o intuito de se verificar se a possibilidade de substituir a técnica tradicional pela FLACS é plausível. Neste sentido, serão analisados vários parâmetros, tais como a acuidade visual, a curvatura e espessura da córnea, o astigmatismo corneano, o astigmatismo induzido pela cirurgia (SIA) e a relação de alguns destes parâmetros com a largura da incisão e a distância do local da incisão até ao limbo esclero-corneano. Com este propósito, foram avaliados 40 olhos pela FLACS e 15 pela facoemulsificação, obtendo-se as medidas anteriormente referidas no pré-operatório, no pós-operatório imediato e 1 e 3
meses após a cirurgia. Relativamente à acuidade visual, os pacientes da técnica de FLACS apresentaram melhores resultados. Já no estudo da curvatura da córnea, constatou-se uma variação pouco significativa em ambas as técnicas. Na análise do astigmatismo, verificouse que a facoemulsificação conduz a um maior aumento (12,4%), comparativamente à FLACS (7%). Também a espessura central da córnea obteve melhores resultados na técnica de laser de femtosegundo. Estudou-se, ainda, a relação deste parâmetro com a largura da incisão, provando que, em ambas as técnicas, estes são linearmente relacionados. Já o SIA demonstrou resultados semelhantes para ambas as técnicas de tratamento. Relacionou-se este parâmetro com a largura da incisão, sendo mais evidente esta dependência pela facoemulsificação. Por fim, analisou-se a relação da distância do local da incisão até ao limbo com o SIA, onde não se verificou qualquer correlação entre estes dois parâmetros. Deste modo, considera-se que a técnica de FLACS apresentou ser mais segura e menos invasiva, relativamente à facoemulsificação