Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
Abstract
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor
em Relações Internacionais, Especialidade de Estudos Políticos de ÁreaAs preocupações com a segurança energética são motivadas pela crescente
demanda global por energia, pelo aumento da dependência das importações de energia,
os altos preços do petróleo e a perspectiva de escassez futura de petróleo e gás. Essas
preocupações são exacerbadas por eventos externos, tais como a volatilidade em alguns
países produtores de energia, ataques a infra-estruturas energéticas e a pirataria. Em
resposta aos riscos e ameaças para a segurança energética, alguns países têm procurado
novas alianças estratégicas e de cooperação entre os principais players do mercado de
energia, enquanto para outros o acesso às fontes de energia é fonte de tensão, de
rivalidade e de conflito. Assim, torna-se importante analisar como é que a segurança
energética está a moldar as relações internacionais contemporâneas, em particular entre
as economias emergentes que são responsáveis por mais de metade do aumento do
consumo energético no mundo. Neste sentido, o objecto da nossa investigação passa
pela análise da relação da China com os Países de Língua Portuguesa, dentro da
estratégia externa chinesa de segurança energética. Num espaço de trinta anos, a
emergência da China, de uma economia isolada para uma das maiores forças de
mercado do mundo, é um feito incomparável na história da humanidade. Porém, essa
emergência é acompanhada por grandes desafios, nomeadamente a necessidade cada
vez maior de recursos minerais e energéticos. A RPC é, actualmente, o maior
consumidor de energia e o segundo maior importador de petróleo. Para Pequim, a
segurança energética é uma preocupação recente, mas de extrema importância para o
contínuo desenvolvimento económico, para a estabilidade político-social e para a
segurança nacional. Para analisar como é que as preocupações com a segurança
energética na China podem moldar as relações da RPC com os países de Língua
Portuguesa foram escolhidos três estudos de caso: Angola, Brasil, como países
exportadores de petróleo e Timor-Leste, como potencial exportador de gás. Através de
uma análise comparativa avaliámos o contributo desses três países para a segurança de
fornecimento energético da RPC, tendo como escopo da nossa análise como é que as
relações com estes países espelham as preocupações da China com a segurança
energética