RODRIGUES, Miguel Jasmins (coord.),O presente texto parte da pergunta seguinte: tiveram os descobrimentos e a expansão ultramarina alguma repercussão sobre as insígnias da nobreza portuguesa durante o Antigo Regime? Para responder, procurará estabelecer-se uma relação das armas de algum modo afectadas pela experiência ultramarina, divididas em três categorias: alteração de insígnias previamente existentes quer por iniciativa dos titulares, quer mediante acrescentamentos honrosos conferidos pela Coroa; criação e atribuição de armas novas por via da autoridade heráldica centralizada; elaboração de um sistema de elementos exteriores ao escudo, representativos do exercício de cargos governativos no Ultramar. O argumento principal da comunicação consistirá na ideia de que os descobrimentos e a expansão forneceram à heráldica portuguesa de família uma renovação de figuras e de elementos exteriores que, longe de substituir as insígnias medievais, propiciou uma fusão com os símbolos e mitos tradicionais, actuando como expressão da refundação das linhagens, agora ao serviço da Coroa nos domínios ultramarinos. Estabeleceu-se deste modo uma continuidade simbólica que funcionava como representação da hierarquia política e social, justificando o predomínio não só da nobreza mas também da Coroa