O termo “técnica” tem sido usado, ao longo dos tempos, com diferentes significados e em contextos vários, entre os quais o da execução musical instrumental. Ao observar a diversidade de acepções já atribuídas ao vocábulo no campo da performance de obras musicais instrumentais, apercebemo-nos da falta de consenso que persiste quanto (1) à compreensão do seu significado neste contexto particular; (2) à identificação das componentes da execução instrumental que excedem os limites da técnica. O presente texto pretende sugerir possibilidades de resposta a estas duas questões, sem ambicionar explorá-las exaustivamente. É ilustrado com referências a alguns dos inúmeros autores que, no passado, se debruçaram sobre a questão da técnica e sobre outras com esta relacionadas, pretendendo incorporar algumas das suas ideias numa perspectiva pessoal do autor